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Grupos de Previdência Privada devem triplicar títulos até 2010

As entidades fechadas de previdência privada devem triplicar o volume de títulos privados em suas carteiras nos próximos anos. Com isso, em 2010 a relação deverá ser inversa à atual, onde há o predomínio de títulos públicos.A avaliação foi feita pela Sul América Investimentos, empresa de gestão de recursos do grupo Sul América, que concluiu pesquisa sobre intenções de investimentos dos fundos de pensão para os próximos anos.Segundo Marcelo Mello, vice-presidente da empresa, essa tendência será acelerada pela queda dos juros dos títulos públicos e a mudança no perfil da dívida do governo, que deverá ter menos papéis indexados à taxa Selic.Mello estima que as aplicações dos fundos de pensão em títulos de dívida privada devem subir de R$ 59 bilhões em 2006 para até R$ 172 bilhões no final de 2010, invertendo a relação atual. No caso dos títulos públicos, o movimento será o inverso, com os fundos de pensão encerrando 2006 com R$ 172,8 bilhões em títulos públicos e caindo para R$ 167,9 bilhões em 2010.Com isso, a participação desses papéis na carteira dos fundos de pensão deverá cair dos atuais 50,9% para 33,8%. Os títulos privados sairão do patamar atual de 17,5% para 34,5% em cinco anos.PatrimônioA avaliação da Sul América é que o patrimônio dos fundos de pensão continuará crescendo nos próximos anos, tanto em termos relativos quanto absolutos. O patrimônio consolidado do setor subirá dos atuais R$ 340 bilhões, equivalente a 17,0% do Produto Interno Bruto (PIB), para perto de R$ 497 bilhões em 2010, valor equivalente a 21,5% do PIB.Mello afirmou que esse cenário prevê que o PIB crescerá ao ritmo de 4,0% ao ano e o Tesouro Nacional manterá o superávit primário ao redor de 4,25% do PIB, viabilizando a queda da relação dívida/PIB, que está em 50,5% em 2006 para 42,4% em 2010, e dos juros dos títulos públicos. Na pesquisa conduzida nos últimos dois meses junto a 200 entidades fechadas de previdência, a Sul América constatou que a maior preocupação dos fundos brasileiros para os próximos anos é quanto ao risco de crédito, superando os receios quanto aos riscos de mercado, risco operacional ou risco político.RiscosNo mercado internacional, a maior preocupação dessas instituições é quanto ao risco de mercado (59%), seguido do risco operacional (28%) e só então o risco do crédito (13%). "O risco de crédito é um assunto novo para as fundações brasileiras, o que justifica a grande preocupação das entidades brasileiras", observa Mello.A ampliação dos investimentos em títulos privados deverá abrir novas oportunidades de negócios para empresas do setor, na avaliação do executivo. As empresas independentes de gestão de recursos, por exemplo, devem ampliar fatia de negócios, assim como as empresas especializadas em custódia. Os fundos de pensão, em sua maioria, pretendem aumentar a terceirização da gestão de suas carteiras, segundo Mello.O vice-presidente da Sul América acredita que haverá aumento nas taxas de administração de recursos, já que os patamares praticados no Brasil estão entre os mais baixos do mundo. Segundo a Sul América, as taxas de administração no Brasil estão em torno de 0,30% do patrimônio líquido gerido, o que seria a mais baixa entre países emergentes e países ricos. Na Espanha, por exemplo, as taxas estão em torno de 1,30%, em 1,40% na Itália e 1,09% na Inglaterra. Até nos Estados Unidos, as taxas são maiores, representando cerca de 0,63% do patrimônio da indústria.Esse aumento deverá ocorrer até porque os fundos de pensão devem diversificar as suas aplicações, direcionando os recursos para aplicações que oferecem maiores riscos, assinala Mello.

Agencia Estado,

18 de outubro de 2006 | 09h30

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