Marcos Arcoverde/Estadão
Marcos Arcoverde/Estadão

Grupos do País captam US$ 7,15 bilhões no exterior

Mesmo com rebaixamento da nota brasileira pela S&P, empresas têm conseguido levantar recursos a taxas menores que as esperadas

Aline Bronzati e Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2018 | 05h00

Com a nova emissão externa da Petrobrás e a estreia da Natura no mercado de dívida internacional, emissores brasileiros captaram US$ 7,15 bilhões na primeira janela do ano, superando os US$ 5,95 bilhões emitidos no exterior no mesmo intervalo do ano passado. O número é apontado como muito positivo, visto que no final de 2017 muitas companhias já tinham antecipado suas captações. 

A Petrobrás foi destaque em janeiro, com uma emissão de US$ 2 bilhões e um prêmio negativo em relação aos papéis da companhia que já circulam no mercado, um dia depois da condenação em segunda instância na Justiça do ex-presidente Lula. Na prática, a estatal lançou os bônus a preços muito atrativos e provou, ainda, o bom humor crescente do mercado em relação à companhia.

A primeira janela do ano contou ainda com nomes como JSL, Rumo, Marfrig, Hidrovias do Brasil e as também estreantes Rede d’Or e Natura, que, em sua maioria, conseguiram levantar recursos a preços mais atrativos que o esperado. Até mesmo o Tesouro Nacional, figura frequente no mercado externo no começo do ano, conseguiu captar a um custo menor que a emissão anterior e uma semana após o rebaixamento da nota de crédito do Brasil por parte da agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P). 

A emissão confirmou que a influência da decisão da classificadora foi praticamente zero: a demanda pelos papéis soberanos chegou a quatro vezes mais o valor da emissão, de US$ 1,5 bilhão. Outra prova contundente de que o rebaixamento da S&P não afetou o humor dos investidores em relação ao Brasil, foi a captação da Hidrovias do Brasil, outra novata, que com uma demanda sete vezes superior à oferta inicial, captou US$ 600 milhões.

Para o início deste ano ainda são esperadas pelo mercado a emissão de nomes como a CSN, que tem bônus perto do vencimento, Braskem, BRF e Ultrapar. “Há um razoável descolamento da situação doméstica e internacional. Há um volume de liquidez tão grande que o investidor busca operações no mercado ainda que haja um cenário que não seja o que ele imagina”, prevê a gerente executiva de renda fixa local e internacional do Banco do Brasil, Fernanda Arraes.

Outros emissores frequentes, os bancos também podem fazer algum movimento. O principal candidato é a Caixa Econômica Federal, que precisa de recursos para fazer frente às suas necessidades de capital uma vez que não poderá mais contar com a operação de R$ 15 bilhões com o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). O Conselho de Administração do banco já aprovou emissão externa de títulos perpétuos (sem prazo de vencimento).

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Já o Banco do Brasil, que voltou a acessar o mercado externo no final do ano passado, está, por ora, somente monitorando o cenário, de acordo com uma fonte. Além de não ter necessidade de captar recursos neste momento, a instituição prefere publicar os resultados do último trimestre do ano e também os anuais de 2017 para ter boas novas para apresentar aos investidores internacionais. Em outubro, o BB emitiu US$ 1 bilhão em bônus de sete anos, com demanda que superou os US$ 5,5 bilhões.

Em 2017, o Brasil captou US$ 31,5 bilhões com emissão de bônus no exterior, o maior montante desde 2014, quando o País levantou US$ 45,5 bilhões.

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