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Grupos espanhóis oferecem menor pedágio e levam 6 das 7 rodovias

OHL fez lance de R$ 0,997 pelos pedágios da Rodovia Fernão Dias e de R$ 1,364 pelos da Régis Bittencourt

Renée Pereira, O Estadao de S.Paulo

10 de outubro de 2007 | 00h00

As empresas espanholas causaram frisson ontem, na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), ao arrematar 6 dos 7 lotes de rodovias federais oferecidos pelo governo à iniciativa privada. Juntas, OHL e Acciona abocanharam 2.278 quilômetros (km) de estradas no Sul e Sudeste do País, de um total de 2.600 km ofertados.Foi a primeira grande privatização do governo Lula, herdada do Programa Nacional de Desestatização (PND) do governo anterior (de 1997) e alvo de disputas internas desde as primeiras tentativas de realização.A única brasileira a vencer a licitação foi a BRVias, formada pela Splice (do empresário Antonio Beldi), Áurea (da família Constantino, da Gol) e Walter Torre, que levou 321 km da BR-153, a chamada Transbrasiliana. CCR, Odebrecht e EcoRodovias, entre outras tradicionais do setor, ficaram longe das vencedoras, com lances mais altos. Pelas regras do leilão, era declarado vencedor aquele que oferecesse a menor tarifa para operar determinado trecho.A OHL, que já detém 1.147 km de estradas em quatro concessões no interior de São Paulo, seguiu à risca o regulamento e foi a maior vencedora da disputa. Ignorou grandes e tradicionais investidores do setor e fez ofertas de deixar qualquer empresa boquiaberta. Com propostas agressivas, cujo deságio variou de 39,35% a 65,43%, ela ganhou cinco lotes de rodovias, inclusive as mais cobiçadas, a Régis Bittencourt (BR-116) e a Fernão Dias (BR-381).O leilão foi aberto às 14 horas, com a abertura dos envelopes para a Régis. Até aí, cada investidor mantinha a esperança de levar pelo menos um trecho. Depois de 11 propostas para esse lote, a espanhola começou a mostrar a que veio. Jogou a tarifa-teto de R$ 2,685 para R$ 1,364 e deixou inconformados os concorrentes. O sentimento de incapacidade de competir com propostas tão baixas foi crescendo a cada lote que a espanhola vencia, especialmente depois do lance de R$ 0,997 de tarifa para a Fernão Dias.Nesse momento, o saguão da Bovespa quase veio abaixo. A pergunta que se repetia era como a empresa conseguiria administrar as concessões com tarifas tão baixas. Alguns achavam que já sabiam a resposta: ''''Eles podem fazer ofertas dessa magnitude, já que a captação de recursos é a custo baixíssimo''''. Mas a maioria mantinha o ar de incredualidade no rosto.Esse quadro se repetiu por quatro lotes seguidos, até que o leilão foi suspenso durante 40 minutos, por decisão judicial. Foi aí que entrou em cena mais uma espanhola, a Acciona, que arremataria o último lote do leilão, a BR-393. A empresa recorreu à Justiça por ter sido desqualificada do leilão, no dia anterior, por causa de uma confusão na entrega de documentos.Para levar adiante a disputa, a Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT) verificou os envelopes, encontrou o documento trocado e prosseguiu o leilão com a participação da espanhola, que teve a proposta aberta em um lote já fechado. A liminar ainda terá de ser cassada. Portanto, o resultado do leilão ainda está sub judice.Após a paralisação, a BRVias, cujas propostas sempre ficavam em segundo lugar, conseguiu arrematar a BR-153. Detalhe: a OHL não fez oferta para esse lote nem para o trecho vencido pela Acciona. A espanhola ainda levaria a BR-116, entre o Paraná e a divisa de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

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