Grupos menores se unem na disputa pelo trem-bala

Dezesseis empresas ligadas à Apeop, com receita anual de até R$ 1 bi, negociam acordo com grupos espanhóis para entrar na briga

Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2010 | 00h00

Incentivadas pelo resultado do leilão da Hidrelétrica de Belo Monte (PA), vencido por um consórcio de empreiteiras de médio porte, 16 empresas de engenharia e construção se uniram para tentar disputar o trem-bala, entre o Rio e São Paulo. As empresas, boa parte desconhecida do grande público, são sócias da Associação Paulista de Empresários de Obras Públicas (Apeop) e têm faturamento anual que varia de R$ 80 milhões a R$ 1 bilhão.

O empreendimento que as empresas (instaladas em território nacional) querem disputar custará, pelo menos, R$ 33 bilhões. Mas o grupo não deve entrar sozinho no jogo. O presidente da Apeop, Luciano Amadio, conta que as empresas devem assinar um acordo de entendimento com dez companhias espanholas. "Não está assinado, mas há um compromisso para os dois grupos se unirem na disputa."

Uma das empresas mais importantes do grupo espanhol é a Renfe Operadora, estatal que explora a rede ferroviária do país europeu. Além dela, outras espanholas que devem participar são a Consultrans, Ineco Tifsa, Talgo, Cobra, Semi, Invecsa, Dimetronic, Indra e Adif, outra operadora ferroviária. Do lado brasileiro estão Encalso, Tejofran, CVS, Marquise, Cartellone, Calas Engenharia, Construbase, Fidens, Barbosa Melo, Interpa, CCI, Aterpa, Equipav, Planova, Grupo Advento e Cowan.

Amadio, da Apeop, conta que as 16 empresas foram divididas em grupos de trabalho para estudar a parte técnica do empreendimento, parcerias estrangeiras e aspectos jurídicos do processo, entre outros itens. Todas as semanas os grupos se reúnem para discutir as tarefas executadas e estabelecer novos pontos que precisam ser esclarecidos. A cada 15 dias, todas as empresas se encontram para avaliar o trabalho.

O grupo não está fechado. Até a disputa, novas companhias podem se associar e outras podem deixar o "consórcio". "Mas o fato é que, sozinhas, elas não terão capacidade para disputar um empreendimento dessa magnitude. As garantias exigidas para entrar na concorrência são pesadas até mesmo para as grandes construtoras", diz Amadio, que comanda o grupo.

Ele comenta que uma consultoria, a Deloitte, já foi contratada para fazer a proposta das empresas para a disputa. Segundo ele, a ideia de montar um grupo para estudar o Trem de Alta Velocidade (TAV) surgiu das próprias empresas. Mas, hoje, elas contam com total apoio do governo federal. "Eles têm nos incentivado a buscar parceiros no mercado internacional. Já fizemos algumas reuniões com a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), que nos ajudou com alguns contatos."

Adiamento. Apesar de estar com todo o processo em andamento, Amadio diz que seria prudente o governo adiar a disputa. Ele conta que há vários pontos soltos que precisam ser esclarecidos, e que, dificilmente a obra sairá por R$ 33 bilhões. Está mais para R$ 50 bilhões. "É muita obra e as questões ambientais vão exigir muito esforço."

O executivo destaca também que as estimativas de demanda feitas pelo governo federal estão acima da realidade. "Com esse volume de passageiros, o trem teria de abocanhar todos os usuários de avião e do transporte rodoviário." Além disso, a tarifa estipulada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) exigiria uma ocupação da ordem de 90%.

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