Grupos nacionais gastaram US$ 32 bilhões fora desde 2006

Grupos nacionais gastaram US$ 32 bilhões fora desde 2006

Levantamento da PriceWaterhouseCoopers levou em conta principais compras de ativos fora [br]do Brasil até janeiro

Alexandre Rodrigues, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2010 | 00h00

Um levantamento da consultoria PriceWaterhouseCoopers, feito a pedido do Estado, mostra que, entre 2006 e janeiro deste ano, grupos nacionais gastaram quase US$ 32 bilhões nas principais compras de ativos fora do Brasil. E a tendência é que esse movimento aumente este ano. O marco inicial da onda de internacionalização pode ser fixado em 2006, quando foi fechado o maior negócio de uma brasileira no exterior até agora: o controle da mineradora canadense Inco por US$ 14,9 bilhões pela Vale, que se tornou a segunda maior do setor no mundo.

Além da crise que barateou os ativos lá fora, o processo tem contado com o incentivo do governo por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A expansão internacional da JBS Friboi, por exemplo, tem sido uma referência constante do apoio estatal à formação de multinacionais brasileiras. O BNDES já destinou pelo menos R$ 7,5 bilhões ao grupo por meio da compra de ações e debêntures para financiar aquisições no exterior e no Brasil. Assim, o grupo goiano se tornou o maior processador de carnes do mundo ao adquirir ícones da indústria de alimentos americana: a Swift, em 2007, e a Pilgrim"s Pride, em 2009. Também comprou ativos na Itália, Austrália e Argentina.

O BNDES não esconde o esforço para criar multinacionais brasileiras, visto como estratégico na política industrial adotada no governo Lula. Em 2005, o banco criou uma linha de internacionalização para financiar aquisições no exterior que já desembolsou R$ 8 bilhões. O banco também criou uma subsidiária em Londres e estuda uma forma de financiar grupos brasileiros diretamente no exterior.

"Para 2010, veremos o BNDES mais ativo no suporte ao movimento de consolidação e à própria internacionalização das empresas brasileiras", avalia Alexandre Pierantoni, sócio da consultoria. Para o executivo, o acesso ao financiamento é uma das principais vantagens competitivas das empresas brasileiras no supermercado internacional de ativos, com preços em liquidação. Somem-se a isso a estabilidade, o real um pouco mais valorizado, e o bom desempenho do mercado interno que capitalizou as brasileiras.

Para ele, a expansão internacional ainda está ligada ao aquecimento da consolidação de empresas no Brasil, também incentivada pelo BNDES, que dá escala às empresas para alçar voos lá fora. O número de fusões e aquisições no Brasil saltou de 337 em 2003 para 642 no ano passado (foram 721 em 2007).

Embora a crise tenha resultado na manutenção do nível de 2008 (644), as 98 transações registradas em janeiro e fevereiro deste ano indicam que o desempenho de 2007 deve ser superado em 2010, acredita Pierantoni. O volume de operações no primeiro bimestre representa um aumento de 51% em relação ao mesmo período de 2009 (65) e supera o de 2007 (81).

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.