Grupos reduzem custos e poluição com ferrovias

Investimentos de R$ 3,4 bilhões da Cosan e da Coopersucar eliminam 62 mil viagens de caminhão por ano

Luciana Collet, enviada especial de O Estado de S. Paulo,

05 de novembro de 2012 | 17h39

ITIRAPINA - Projetos que favorecem a redução de custos de exportação de açúcar, ao mesmo tempo que retiram caminhões das estradas e reduzem emissões de gases poluentes, são prioridade para grandes empresas do setor, como o Grupo Cosan e a Coopersucar. As duas empresas anunciaram investimentos que somados atingem R$ 3,4 bilhões em projetos logísticos até 2015 e estimam que propiciarão uma redução de pelo menos 62 mil viagens de caminhões por mês.

A Cosan, por meio de sua empresa logística Rumo, está investindo R$ 1,4 bilhão em terminais e reforma de linhas férreas que permitirão o escoamento de 11 milhões de toneladas anuais de açúcar por ferrovia até 2015. "Mudaremos o transporte de açúcar produzido na região centro-sul ao Porto de Santos do modal rodoviário para o ferroviário e deixarão de circular pelas estradas 30 mil caminhões por mês", disse o diretor presidente da Cosan, Marcos Lutz.

A empresa acaba de inaugurar a primeira fase de um terminal intermodal na cidade de Itirapina, no interior de São Paulo. O complexo, que já recebeu um aporte de R$ 100 milhões, abriga por ora um armazém com capacidade para 110 mil toneladas, uma tulha ferroviária, para o carregamento dos vagões, com capacidade para expedir 44 mil toneladas e um ramal ferroviário de 5,6 quilômetros, capaz de realizar o carregamento com a composição em movimento. Até 2015, o terminal deve movimentar até 12 milhões de toneladas de açúcar e grãos por ano.

A Rumo Logística também aplicou recursos na compra de 50 locomotivas e 729 vagões e está realizando, em parceria com a América Latina Logística (ALL), a recuperação da malha ferroviária no trecho de Itirapina a Santos. A empresa também está desenvolvendo projetos para a cobertura de seus terminais no Porto de Santos, com o objetivo de permitir o embarque de açúcar mesmo nos dias chuvosos. De acordo com o diretor presidente da Rumo, Julio Fontana Neto, o terminal deixa de operar por até 120 dias no ano por causa das chuvas.

O executivo informou que do volume total de açúcar processado pela Raízen, joint venture entre Cosan e Shell para a produção de açúcar e etanol e distribuição de combustíveis, cerca de 60% foram escoados pela ferrovia na última safra e a meta é chegar a 90% quando todo o plano de investimentos for concluído.

Etanolduto

A Copersucar anunciou investimentos de R$ 2 bilhões em logística, montante que inclui não apenas a expansão da capacidade de armazenar e transportar açúcar por ferrovia até o Porto de Santos, como também expansão da logística de escoamento de etanol, incluindo sua participação na implantação de um etanolduto. A empresa revela que pretende transportar por meio de ferrovias 70% de seu açúcar a granel até 2015. Atualmente, esse modal responde por cerca de 50% do transporte da commodity. A empresa já investiu R$ 30 milhões na ampliação do Terminal Multimodal de Ribeirão Preto, para permitir o aumento da capacidade de recepção, armazenagem e expedição de açúcar, além de maior velocidade nas operações, que são feitas pela Ferrovia Centro-Atlântica (FCA).

Segundo o presidente executivo da companhia, Paulo Roberto de Souza, a Copersucar terá mais três terminais multimodais para o escoamento de açúcar até 2015, dois no Estado de São Paulo e um em Minas Gerais. / COLABOROU GUSTAVO PORTO

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