Dida Sampaio/Estadão - 27/7/2021
'Precisamos moderar os excessos para garantir a recuperação econômica', disse Guedes. Dida Sampaio/Estadão - 27/7/2021

Guedes: Ambiente de eleições antecipadas afeta a economia, mas País não está 'fora do controle'

Em discurso, ministro da Economia disse esperar 'que excessos de uma parte ou de outra sejam moderados' e afastou a possibilidade de descontrole fiscal

Thaís Barcellos e Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2021 | 17h51

SÃO PAULO E BRASÍLIA  - O ministro da Economia, Paulo Guedes, reconheceu nesta segunda-feira, 23, que o ambiente de antecipação das eleições prejudica a economia, pois causa muito "barulho", mas afirmou que "nenhum fundamento indica que o País está fora do controle".

"Espero que excessos de uma parte ou de outra sejam moderados. Precisamos moderar os excessos para garantir a recuperação econômica, que está praticamente garantida. Muito tem se falado do déficit, sobre a possibilidade de descontrole fiscal, mas os fundamentos continuam indicando que estamos fazendo trabalho certo”,  afirmou na abertura do 41º Congresso Internacional da Propriedade Intelectual, organizado pela Associação Brasileira da Propriedade Intelectual (ABPI).

Guedes destacou que a economia está retomando e que o fiscal continua sob controle. O ministro citou a redução do déficit primário previsto, de 10,5% do PIB em 2020 para 1,70% em 2021 e a 0,30% para 2022. “Então praticamente acabou o déficit. O Brasil enfrentou a maior depressão dos tempos modernos e está voltando a crescer rápido”,

No ano passado, o governo injetou um pacote de estímulo de R$ 524 bilhões em despesas adicionais para o combate à covid-19, o que impactou no tamanho do resultado negativo. Para este ano, estão previstos R$ 127 bilhões em gastos extras, após o governo ter “apostado” no fim da pandemia e, consequentemente, na possibilidade de retirar o suporte às famílias, aos trabalhadores e ao sistema de saúde. Políticas como o auxílio emergencial e o pacote de flexibilização de contratos de emprego só foram retomadas no fim do primeiro trimestre deste ano.

Guedes citou que a projeção para o crescimento do PIB do Brasil em 2021 está em 5,30%, mas não lembrou que em 2020, houve queda de 4,1% na economia. Ele afirmou que a expectativa para o crescimento do PIB cresce há 16 semanas, mas a maioria das projeções colhidas pelo Banco Central para o boletim Focus cai marginalmente há duas semanas e foi reduzida de 5,28% para 5,27% no relatório divulgado nesta segunda-feira, 23.

Para o ano que vem, os economistas continuam a reduzir as projeções. Agora, a maioria espera expansão de 2% do PIB em 2022, ano de eleições. Como mostrou o Estadão, uma "tempestade perfeita" de inflação e juros altos, desemprego, dólar caro, risco de apagão, conflitos institucionais, atropelo nas votações de projetos do Congresso e novos riscos fiscais obrigou economistas e investidores a reverem suas estimativas para o crescimento da economia no próximo ano para o mesmo patamar baixo comum nos anos pré-pandemia.

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Guedes: Esperem e vençam a eleição em vez de fazer confusão e derrubar a economia

Em evento, ministro disse que há atores cometendo 'excessos' e que Bolsonaro, eleito com 60 milhões de votos, é alvo de uma 'caçada' midiática todos os dias

Idiana Tomazelli e Francisco Carlos de Assis, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2021 | 19h57

BRASÍLIA E SÃO PAULO - Em um momento de embates com o Congresso em torno das propostas econômicas, o ministro da Economia, Paulo Guedes, pediu nesta segunda-feira, 23, apoio dos parlamentares e disse que não se pode, por disputas políticas, “afundar o barco”. Guedes ainda sugeriu, sem citar nomes, que há atores cometendo “excessos” e disse que o presidente Jair Bolsonaro é alvo de uma “caçada”.

“Se o próprio presidente, nessa ânsia, nessa caçada que ele tem sofrido, se também tiver cometido algum excesso, é um democrata. É caçado diariamente. Caçado com Ç, não cassado com dois S. Estão querendo transformar o caçado midiaticamente todo dia num cassado com dois S. O homem teve 60 milhões de votos, estamos a um ano de eleições. Esperem e vençam a eleição em vez de fazer confusão e derrubar economia”, disse o ministro durante evento promovido pela Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo.

Segundo Guedes, pode ter um ou outro ator que comete excessos – um ministro do STF ou ele próprio, admitiu –, mas ele disse confiar nas instituições. “Se um ator comete excesso, as instituições o convidam a voltar para dentro da caixa”, afirmou. “Quem está cometendo excessos tem que reavaliar, seja do lado que for. Não podemos, por disputa política, afundar o barco”, disse. Ele acrescentou que quem eventualmente se encaixa nessa descrição vai “refletir e contribuir para o aperfeiçoamento das instituições”.

Ao pedir apoio à agenda de reformas e falar dos “excessos”, Guedes por vezes bateu com a mão na mesa de seu gabinete, de onde participou da live. O barulho foi ouvido na transmissão. Segundo o ministro, há “pessimistas” que têm feito torcida contra a recuperação do País, mas o governo não pode se deixar contaminar por isso.

Guedes disse que o presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), tem lutado “bravamente” para levar adiante a agenda de reformas, mas cobrou do Senado maior engajamento nas propostas. Na sexta-feira, 20, o ministro participou de um debate promovido pelo Senado sobre a reforma tributária, mas acabou acirrando ainda mais o clima e disse até mesmo que pode retirar o apoio ao projeto que muda o Imposto de Renda, dizendo que “prefere não ter reforma tributária a piorar o sistema”.

“Tenho convicção de que o Senado virá conosco para as reformas”, disse Guedes nesta segunda-feira. “Acredito que o Senado brevemente vai ser incorporar à agenda de reformas”, reforçou o ministro.

Guedes ainda alfinetou promessas eleitorais de investidas contra o teto de gastos, a regra que limita o avanço das despesas à inflação. Em junho, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que deve concorrer em 2022, escreveu no Twitter que, se eleito, revogará o teto. “Um bom candidato (em 2022) tem que ser comprometido com reformas, não furar teto”, disse o ministro. Ele encerrou sua participação pedindo "confiança no Brasil acima de tudo".

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