José Cruz/Agência Brasil - 29/5/2019
José Cruz/Agência Brasil - 29/5/2019

Guedes conversa com Maia e Alcolumbre para evitar novos ruídos na reforma da Previdência

Ministro da Economia vai se encontrar hoje com o presidente do Senado, que se irritou após ataques do governo aos congressistas

Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2019 | 12h08

BRASÍLIA - O ministro da Economia, Paulo Guedes, trabalha agora para baixar a temperatura depois da nova crise com o Congresso provocada pelos ruídos gerados em torno de sua conversa com o governador do Ceará, Camilo Santana (PT). Guedes falou nesta quarta-feira, 26, pelo celular com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e irá nesta quinta-feira, 27, à residência oficial do Senado para um encontro com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP). Alcolumbre é um dos mais irritados com o governo pelos seguidos ataques aos congressistas.

Nas conversas que já teve com parlamentares, o ministro tem negado que disse na reunião com o governador petista que o Congresso é uma "máquina de fazer corruptos". Pelo contrário, Guedes tem reforçado aos parlamentares que sua frase foi retirada do contexto da conversa. Em nota divulgada na quarta, ele disse que as frases foram usadas no sentido oposto. Desde as críticas feitas ao relatório do deputado Samuel Moreira (PSDB-SP) sobre a proposta da reforma da Previdência, Guedes tem ficado em silêncio para não atrapalhar as últimas negociações para a votação da matéria.

Na equipe econômica, no entanto, já eram esperadas novas desidratações do texto, tanto na comissão quanto no plenário da Câmara. Muitos assessores atribuem o ruído em torno do encontro de Guedes com o governador do PT à intriga da oposição.

O mal-estar e os ruídos, porém, ainda não estão resolvidos depois do episódio desta quarta, que pegou todos de surpresa. A votação em plenário antes do recesso parlamentar não está certa, apesar da declaração dada por Maia, de que a "ideia é resolver semana que vem na comissão especial e, na outra, no plenário". Maia tenta construir esse acordo com os líderes.

O presidente da Câmara apelou para que haja menos intriga nas relações com o Congresso e provocou Guedes ao dizer que o "sapo morre pela boca". "Como eu disse, o sapo morre pela boca, quero dizer, o peixe", afirmou Maia, fazendo uma correção para ser fiel ao ditado popular.

O cronograma de votação será acertado em reunião com líderes, mas ainda há pressões dos partidos para muitas mudanças, principalmente para policiais, professores e regra de cálculo da aposentadoria. Interlocutores do governo reclamam, por sua vez, da pressão por liberação de emendas dos partidos do Centrão.

No governo, a avaliação é de que, por trás do "humor" dos parlamentares e de Maia, está a preocupação com os ataques que o Congresso poderá sofrer em novas manifestações populares que devem ocorrer no fim de semana.

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