Dida Sampaio/Estadão - 25/10//2021
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Guedes cobra mais agressividade do Itamaraty e diz que está acostumado a fazer 'papel de chato'

Ministro da Economia elogiou o chanceler Carlos França pelas negociações em torno do Mercosul, mas admite que gostaria de ver menos restrições e impostos menores entre os países do bloco

Lorenna Rodrigues, Eduardo Gayer e Shagaly Ferreira, especial para o Broadcast, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2021 | 17h54

BRASÍLIA – Em meio às conversas para mudar regras do Mercosul, o ministro da Economia, Paulo Guedes, pediu que o Itamaraty seja mais agressivo nas negociações comerciais. Em cerimônia no Itamaraty, Guedes disse nesta terça-feira, 26, que está acostumado a fazer o “papel de chato” nessas conversas.

“Parabenizo [o chanceler Carlos] França por avançar na agenda de tornar o Itamaraty mais agressivo. Ele é o good guy, eu sou o bad guy”, afirmou. “Acho que Itamaraty devia ter muito mais agressividade. Nos Estados Unidos, os embaixadores são quase homens de negócio”.

No evento, Guedes cobrou ainda que os ministérios da Economia e das Relações Exteriores têm de se aproximar mais. O ministro não esconde o descontentamento com a velocidade em que as negociações do Mercosul avançam. Guedes gostaria de reduzir a Tarifa Externa Comum do Mercosul ainda neste ano, que é o período do Brasil na presidência rotativa, mas, como mostrou o Estadão/Broadcast, vem encontrando dificuldades.  

Nesta terça-feira, Guedes disse que, agora, as restrições estão vindo do Uruguai, parceiro de primeira hora na agenda liberal do ministro. Depois de ter conseguido dos argentinos a concordância com a redução da tarifa de parte dos produtos em 10% - abaixo do que queria – agora, segundo Guedes, os uruguaios dizem que só apoiam a proposta se o Mercosul apoiar as negociações bilaterais, ou seja, com países de fora do bloco. Pelas regras atuais, negociações envolvendo tarifa só podem ser feitas com terceiros em conjunto pelos quatro países do bloco.

"O Brasil é uma das economias mais fechadas do mundo, estamos para trás. Estamos tentando recuperar o tempo perdido com acordos comerciais”, afirmou.  

O ministro disse ainda que precisará do apoio do Congresso na agenda de modernização do Mercosul. "[Os argentinos] queriam usar nosso Congresso contra nós mesmos”, disse.

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