Joédson Alves/EFE - 13/9/2021
Joédson Alves/EFE - 13/9/2021

Guedes: com alta global da inflação, é 'natural' que preços no Brasil subam para 'ao redor de 9%'

Nesta sexta-feira, o IBGE divulgou que o IPCA atingiu 10,25% no acumulado em 12 meses e subiu 1,16% em setembro, na maior alta para o mês desde o início do Plano Real

Idiana Tomazelli e Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

08 de outubro de 2021 | 13h31

BRASÍLIA - O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta sexta-feira, 8, que a questão da inflação já está “endereçada”. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o IPCA, a inflação oficial do País, acumulado em 12 meses atingiu 10,25%, o maior nível desde fevereiro de 2016 - em setembro, o indicador subiu 1,16%, maior alta para o mês desde o início do Plano Real. 

A perseguida pelo Banco Central para este ano é de 3,75%, com margem de tolerância de 1,5 ponto (2,25% a 5,25%). 

Segundo Guedes, em um contexto de aceleração global da inflação, é “natural” que, num País onde os preços já costumam ter variação ao redor de 4%, o índice acabe subindo para algo “ao redor de 9%”. Para argumentar isso, ele citou que nos Estados Unidos, onde a inflação costuma ser próxima de zero, a variação de preços beira os 5%.

Durante evento promovido pelo Itaú, voltado para investidores estrangeiros, o ministro citou a aprovação da autonomia formal do Banco Central como medida essencial para conter a alta de preços. No mais recente ciclo de alta de juros, o Comitê de Política Monetária (Copom) levou a taxa básica de juros da mínima histórica de 2% para os atuais 6,25% ao ano. 

“Vemos muitas reeleições em cima de exploração de ciclos econômicos, por meio do Banco Central. Nós fizemos a despolitização do Banco Central”, disse Guedes. 

A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e, para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia. Na hipótese de a meta de inflação ser descumprida, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, terá de enviar uma "carta aberta" ao ministro da Economia, Paulo Guedes, explicando as razões para o estouro. A última vez que isso ocorreu foi em janeiro de 2018 e o motivo foi o descumprimento em outra direção, por a inflação do ano anterior ter ficado abaixo do piso da meta. 

Crescimento em 2022

Guedes disse que é “fato” que o Brasil está crescendo e criando empregos e criticou projeções de economistas que apontam baixo crescimento no ano que vem.

O ministro dirigiu-se ao economista-chefe do banco, Mario Mesquita. Depois de chamá-lo de “meu amigo”, criticou o modelo usado pela equipe da instituição para projetar o Produto Interno Bruto (PIB) e disse que algumas variáveis usadas talvez não fossem as mais adequadas.

“Agora estão rodando as projeções para o ano que vem, de que (o crescimento) será de 0,5%. Vão errar de novo, será muito mais do que isso. Nosso real problema é a inflação, mas o crescimento está vindo. Ainda não sabemos o nível, 2%, poderia ser um pouco mais, um pouco menos, mas estou falando apenas de fatos. Uma coisa é barulho, política, narrativas. Outra coisa são fatos”, afirmou.

Segundo ele, há evidências na arrecadação e no consumo de que há retomada do crescimento. Ele disse que o PIB brasileiro caiu menos em 2020 e recuperou mais rápido que o esperado. “O Brasil mantém um ritmo muito acelerado de recuperação este ano, confirmando nossa expectativa”, afirmou.

“Quero frisar para os (investidores) estrangeiros, há muito barulho no Brasil. Continuamos promovendo reformas estruturais, que são chave para crescimento sustentado”, disse o ministro.

Guedes, que discursou em inglês no evento, citou ainda projeções de alta de “4,2% ou 4,3%” neste ano no PIB. A projeção oficial do governo, no entanto, é de um avanço de 5,3% em 2021.

O ministro destacou ainda o avanço da vacinação e citou alguns dos tipos de imunizantes usados no Brasil, como Pfizer, Janssen e até Coronavac, produzida pelo Instituto Butantan, de São Paulo, e que costuma ser alvejada por críticas do presidente Jair Bolsonaro por ser a “vacina de João Doria”, governador paulista e adversário político do chefe do Palácio do Planalto. O próprio Guedes foi vacinado com Coronavac. O ministro ainda citou a Moderna, embora o Brasil não tenha adquirido nenhum lote desse imunizante. 

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