Pilar Olivares/Reuters
Pilar Olivares/Reuters

Guedes defende privatização e diz que tem tido 'a melhor interlocução com a classe política'

Em evento sobre desestatização do setor elétrico, no BNDES, ministro da Economia afirma que estatais não vão mais alimentar 'distorções na democracia'

Denise Luna e Renata Batista, O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2019 | 12h21

RIO - O ministro da Economia, Paulo Guedes, defendeu as privatizações, nesta sexta-feira, 8, na abertura do seminário Desestatização do Setor Elétrico, na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e disse que tem tido a melhor interlocução com a classe política. Segundo ele, os políticos já perceberam que o jogo de buscar cargos em estatais para ajudar a financiar eleições não é interessante, porque o orçamento fica comprometido e não sobram recursos para governar.

"A velha política morreu. As estatais não vão mais alimentar essas distorções na democracia. O modelo de política por votos mercenários acabou", afirmou.

Para o ministro, o presidente Jair Bolsonaro está "dando exemplo de comportamento". "Tem todo o tipo de zumbi em volta dele (Bolsonaro) e não vi recuar em nenhum ponto", garantiu Guedes, que defendeu as privatizações e frisou que o processo não poderá interromper o sistema de infraestrutura que já existe no País. Para ele, o BNDES deverá atuar, em conjunto com os Estados, nesses processos. 

"O Brasil era um Saci Pererê, só pulava com a perna esquerda, mas ela estava cansada. Agora vamos pular um pouco com a perna direita", disse, frisando que o governo foi eleito com essa plataforma. "A democracia é pujante. Deixa a gente trabalhar quatro anos."

Fábrica de desigualdade

Em sua fala no evento, Guedes defendeu uma nova dinâmica de gastos, com maior coordenação entre as políticas fiscal e monetária e alinhamento com os Estados, que "estão quebrados". Segundo ele, o primeiro grande gasto do País é com a Previdência, o segundo com o pagamento de juros e o terceiro é com a máquina pública.

"A descoordenação das políticas fiscal e monetária deixou as digitais (na crise)", afirmou. "O sistema previdenciário é uma fábrica de desigualdade. A dívida explodiu. Houve enormes transferências de renda para rentistas. O Brasil virou o paraíso dos rentistas."

Segundo o ministro, o País viveu, desde os governos militares, uma tragédia em vários atos com um ator recorrente. "O governo gastou muito e gastou mal", disse. "Qualquer um que conhece finanças conhece o poder dos juros compostos. Temos que transformar isso."

Guedes falou da situação fiscal crítica dos Estados e defendeu a atuação do BNDES junto a esses entes para ajudar na coordenação de políticas, como as privatizações. "No Brasil, o estado não está onde o povo vive. O dinheiro está longe do povo. O dinheiro só vai chegar nos serviços públicos se houver descentralização dos recursos."

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