ANDRE COELHO/ESTADAO
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Guedes defende venda de ativos do Estado para enxugar máquina pública

Ministro disse que pediu ao Executivo que vendesse a própria casa em que mora atualmente

Idiana Tomazelli, Lorenna Rodrigues e Camila Turtelli, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2019 | 17h50
Atualizado 09 de abril de 2019 | 10h53

O ministro da Economia, Paulo Guedes, defendeu a venda de ativos do Estado para enxugar a máquina pública. Vamos vender ativos, a mensagem é clara”, disse ele, afirmando que o governo tem atualmente 700 mil imóveis. Ele falou ainda sobre participação em estatais para reduzir a dívida. “Os juros da dívida são inaceitáveis, todos os economistas brasileiros viraram banqueiros”, completou.

Durante palestra promovida pelos jornais O Globo e Valor Econômico nesta tarde em Brasília, Guedes disse que pediu que o Executivo vendesse a própria casa em que mora atualmente. A residência era do ministro da Fazenda no governo anterior, mas já havia sido colocada à venda ainda no governo Michel Temer.

O ministro voltou a falar sobre a reforma da Previdência e disse que só não adotou as mudanças defendidas pelo economista Armínio Fraga porque quer “uma viagem mais longa em direção a capitalização”.

Ele afirmou ainda que 50% do funcionalismo federal se aposenta nos próximos cinco anos e que, com isso, haverá redução no número de servidores, que só serão repostos pontualmente. “Travamos concurso público, vai desidratar pela metade por aposentadoria”, disse.

Reforma menor

Paulo Guedes, disse que, mesmo com pesquisas mostrando queda de popularidade do presidente Jair Bolsonaro, está "absolutamente confiante" de que alguma reforma da Previdência será aprovada, ainda que de impacto menor. "Caiu a popularidade, sorry, vai ser mais difícil, mas não me assusta. Bolsonaro tem legitimidade, proposta foi a anunciada durante a campanha. Congresso vai fazer a parte dele", afirmou.

O ministro lembrou que os governadores e prefeitos estão "quebrados", e que vai haver mobilização no Congresso Nacional. Ele disse ainda que o presidente entende que terá que governar com todo mundo e que os "bons interlocutores" farão nova política. "Não há razão para acharmos que coisa vai degringolar", completou.

Para Guedes, não conseguir fazer a capitalização "não é uma derrota" e ele repete que "não sairá na primeira derrota". "O máximo que vou fazer é, quando começar a bagunça, sair da sala e ir para casa", afirmou.

O ministro rebateu o discurso de "caos" com a eleição de Bolsonaro e lembrou que o houve o mesmo medo na eleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele defendeu a abertura da economia para o crescimento, como no caso da China, e disse que as condições econômicas "proporcionam muita coisa". "Lula se quisesse o terceiro mandato tinha aprovado", completou.

Pré-sal

No evento, Paulo Guedes confirmou que o plano do governo é repassar 70% dos recursos do pré-sal para Estados e municípios, defendendo que não haja condicionantes para o repasse desses recursos, mas que, se for da preferência dos parlamentares, pode haver exigência de percentuais mínimos para educação e saúde.

"Não vou regular o que governador faz com dinheiro, ele é que foi eleito. Do ponto de vista da Fazenda e Petrobras, cessão onerosa será resolvida", afirmou.

Maia diz que vai avaliar se há necessidade de emenda constitucional para fazer esse repasse. Ao sair do evento, Guedes admitiu que há receio de que, passando pelo Congresso Nacional, o processo demore. "Tem que perguntar pra ele [Maia], do nosso lado a cessão onerosa vai andar muito bem", completou.

BPC

Paulo Guedes ainda voltou a falar que o BPC e a aposentadoria rural são "candidatos interessantes" para sair da reforma da Previdência. "Tem coisas que são colocadas na proposta para medir sensibilidade", afirmou.

 

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