Najara Araújo/Câmara dos Deputados
'Não existe isso. É conversa fiada', disse Guedes sobre possível desmonte do Ministério da Economia. Najara Araújo/Câmara dos Deputados

Guedes desconversa sobre pressão para fatiamento de ministério: 'Conversa fiada'

Aliados políticos estariam cobrando Bolsonaro para desmembrar o Ministério da Economia e recriar a Secretaria da Previdência e o Ministério de Desenvolvimento, que seriam entregues ao Centrão

Marlla Sabino e Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

08 de outubro de 2020 | 18h26
Atualizado 10 de outubro de 2020 | 20h22

BRASÍLIA - Em meio à pressão do Centrão para fatiar o Ministério da Economia e recriar as pastas do Trabalho e da Indústria, Paulo Guedes buscou hoje desconversar sobre a possibilidade. “Não existe isso. É conversa fiada”, disse o ministros na chegada à Câmara dos Deputados para participar do lançamento da agenda legislativa da reforma administrativa.

Como mostrou o Estadão, aliados políticos do presidente Jair Bolsonaro intensificaram a cobrança sobre o governo para um desmembramento de parte do Ministério da Economia. A discussão gira em torno da separação da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho da pasta e a recriação do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, para ser entregue ao Centrão.

No Palácio do Planalto, como mostrou a reportagem, já se fala no planejamento de uma “pequena reestruturação”. Apesar da ameaça de Paulo Guedes perder o status de superministro, auxiliares do presidente dizem que ele segue tendo o respaldo do governo.

Na live semanal que faz, o presidente disse que a informação tem o intuito de "desgastar" Guedes. "É pra tumultuar, é pra tentar desgastar o Paulo Guedes, como se eu tivesse fazendo as coisas por trás dele”, disse. "Não existe da nossa parte interesse em recriar qualquer ministério", completou. 

A volta do Ministério de Trabalho e Previdência, antecipada pelo site Poder360, e a recriação do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior vêm sendo discutidas desde o início da aliança do Centrão com o presidente Jair Bolsonaro, que se intensificou durante a pandemia e mudou a articulação do governo no Congresso.

A reforma ministerial começou a ser comunicada por líderes do governo, segundo relatos de interlocutores ao Estadão. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), também tem acompanhando as conversas de perto e fazendo sondagem entre parlamentares sobre quem poderia ocupar as novas pastas de Trabalho e Indústria.

Um dos secretários de Guedes, Carlos da Costa, foi indicado pelo governo à presidência do braço de investimentos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o que poderia abrir a oportunidade para as mudanças. / Colaboraram Emilly Behnke, Nicholas Shores e Daniel Galvão.

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Recriar ministério é fake news para desgastar Paulo Guedes, diz Bolsonaro

Em transmissão pelas redes sociais, presidente negou que o governo tenha interesse em desmembrar o Ministério da Economia para recriar pastas a pedido do Centrão

Emilly Behnke, Nicholas Shores e Daniel Galvão, O Estado de S.Paulo

08 de outubro de 2020 | 20h28
Atualizado 18 de outubro de 2020 | 18h52

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira, 8, que especulações sobre a recriação das pastas do Trabalho e da Indústria são "fake news" para desgastar o ministro Paulo Guedes, da Economia. Em transmissão ao vivo pelas redes sociais realizada em Breves (PA), Bolsonaro negou que o governo tenha interesse em recriar ministérios.

"Então hoje, fake news no Estado de São Paulo, é pra tumultuar, é pra tentar desgastar o Paulo Guedes, como se eu tivesse fazendo as coisas por trás dele”, disse. Reportagem do Estadão/Broadcast mostrou que o Palácio do Planalto estuda uma "pequena reestruturação" na Economia, discutida desde o início da aliança com o Centrão. Mais cedo, o próprio ministro Paulo Guedes negou a possibilidade de desmembramento da pasta da Economia.

"Não existe da nossa parte interesse em recriar qualquer ministério", reforçou Bolsonaro. O chefe do Executivo está em Breves para agenda de compromissos nesta sexta-feira, 9, para a apresentação de ações do governo e da Caixa Econômica Federal. Ele está acompanhado do presidente da Caixa, Pedro Guimarães, e do ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque.

Desentendimentos

Após as desavenças envolvendo Guedes e o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, por conta do Renda Cidadã, Bolsonaro disse nesta quinta-feira, 8, que algumas vezes seus ministros "batem cabeça". "De vez em quando nossos ministros batem cabeça aí, mas é por recurso para melhor atender população. Não tem briga por recurso para atender projetos pessoais, de quem quer que seja", disse.

Na sequência o presidente destacou que o Orçamento público é limitado. "Nosso Orçamento é um dos menores dos últimos anos, talvez o menor. Ano que vem a tendência é ser menor ainda, mas estamos fazendo o que nós podemos fazer."

Na semana passada, Guedes e Marinho desentenderam quanto ao financiamento do Renda Cidadã. O Estadão/Broadcast revelou que na sexta-feira, 2, Marinho afirmou para economistas, durante uma videoconferência fechada, que é preciso encontrar uma forma de viabilizar o Renda Cidadã, mesmo que para tal seja necessário flexibilizar o teto de gastos. Em resposta, Guedes indicou que caso as falas de Marinho fossem verdadeiras, o chefe do Desenvolvimento Regional seria "despreparado, desleal e fura teto".

Obras

Ao lado de Bento Albuquerque e Pedro Guimarães, Bolsonaro citou na conversa que uma das prioridades do governo é a conclusão de obras de gestões passadas. "A prioridade nossa é completar obra de governos anteriores e não tem nenhum demérito nisso não, tá certo? Estou deixando bem claro que as obras não são nossas", disse. E acrescentou: "Não quero inventar uma obra agora para ficar uma marca minha e enterrar o pouco que nós temos de recursos orçamentários e deixar de concluir obras tão importantes que falta muito pouco para poder atender a população".

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Centrão pressiona para recriar ministérios do Trabalho e da Indústria, hoje dentro da Economia

Apesar da ameaça de Guedes perder o status de superministro, auxiliares do presidente dizem que ele segue tendo o respaldo do governo

Adriana Fernandes e Jussara Soares, O Estado de S.Paulo

08 de outubro de 2020 | 14h12
Atualizado 09 de outubro de 2020 | 11h46

BRASÍLIA - Aliados políticos do presidente Jair Bolsonaro intensificaram a cobrança sobre o governo para um desmembramento de parte do Ministério da Economia. A discussão gira em torno da separação da secretaria de Previdência e Trabalho da pasta e a recriação do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, para ser entregue ao Centrão. 

Segundo apurou o Estadão, no Palácio do Planalto já se fala no planejamento de uma “pequena reestruturação”. Apesar da ameaça de Paulo Guedes perder o status de superministro, auxiliares do presidente dizem que ele segue tendo o respaldo do governo. Um dos secretários de Guedes, Carlos da Costa,  foi indicado pelo governo à presidência do braço de investimentos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o que poderia abrir a oportunidade para as mudanças.

A volta do Ministério de Trabalho e Previdência, antecipada pelo site Poder360, e a recriação do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior vêm sendo discutidas desde o início da aliança do Centrão com o presidente Jair Bolsonaro, que se intensificou durante a pandemia e mudou a articulação do governo no Congresso.

A reforma ministerial começou a ser comunicada por líderes do governo, segundo relatos de interlocutores ao Estadão. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), também tem acompanhando as conversas de perto e fazendo sondagem entre parlamentares sobre quem poderia ocupar as novas pastas de Trabalho e Indústria.

Em busca de apoio para sua reeleição, Alcolumbre tem se colocado como um articulador do Planalto. Na semana passada, ele organizou o encontro do presidente Bolsonaro com os ministros do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes e Dias Toffoli, para chancelar a indicação do desembargador Kassio Marques à vaga na Corte, após a saída do ministro Celso de Mello.

Um dos nomes cogitados para um eventual Ministério da Indústria e Comércio Exterior é o do vice-presidente da Câmara, Marcos Pereira (Republicanos-SP). O deputado ocupou a mesma pasta no governo do ex-presidente Michel Temer. A interlocutores, entretanto, Marcos Pereira afirma que não tem interesse em voltar para o Executivo e que segue na disputa pela presidência da Câmara. Ligado à Igreja Universal, o parlamentar é presidente do Republicanos, partido que abriga o senador Flávio Bolsonaro e o vereador Carlos Bolsonaro, filhos do presidente.

GUEDES É CONTRA A SEPARAÇÃO

Contrário ao movimento, o ministro Paulo Guedes tem apresentado números para justificar a fusão: antes, eram cinco ministérios gastando R$ 15 bilhões por ano; agora, é um ministério com despesas de R$ 10 bilhões ao ano. Ele assumiu o cargo com a junção de cinco áreas: Fazenda, Previdência, Trabalho, Planejamento, Indústria e Comércio Exterior, além de estatais sob o seu guarda-chuva. Bolsonaro disse, no dia 7 de outubro de 2018, em uma transmissão ao vivo,que seu governo teria, no máximo, 15 ministérios, mas está com 23.

Os partidos da base do governo, porém, cobram cargos, postos de segundo e terceiro escalão da máquina federal cobiçados por caciques partidários para manter seu grau de influência nos Estados, no momento em que se discute uma intensa agenda de votações de interesse da equipe econômica para depois das eleições presidenciais, e também há articulações para a sucessão nas presidências da Câmara e do Senado.

No Palácio, a avaliação é que Guedes fica sobrecarregado com tantos temas embaixo da sua Pasta. Segundo assessores do presidente, o ministro não entende muito de todos os assuntos que ficaram sob o guarda-chuva dele e precisa focar na área fiscal. Por isso, acaba deixando de lado decisões sobre temas relevantes dessas áreas. 

“Não existe isso. É conversa fiada”, disse o ministros na chegada à Câmara dos Deputados para participar do lançamento da agenda legislativa da reforma administrativa. Na live semanal que faz, o presidente disse que a informação tem o intuito de "desgastar" Guedes. "É pra tumultuar, é pra tentar desgastar o Paulo Guedes, como se eu tivesse fazendo as coisas por trás dele”, disse. "Não existe da nossa parte interesse em recriar qualquer ministério", completou.

 

ELEIÇÃO NA CÂMARA DOS DEPUTADOS 

As mudanças no governo, segundo interlocutores do Planalto, têm como pano de fundo a eleição na Câmara de Deputados. Até aqui, a ordem oficial é dizer que o presidente Bolsonaro não pretende interferir no processo. Entretanto, nos bastidores é forte a pressão dos aliados do Centrão para que ele embarque na candidatura do deputado Arthur Lira (PP-AL), um dos líderes do bloco.  

O nome da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, voltou a circular como uma opção do governo para a Presidência da Câmara. Ela é deputada federal do DEM eleita pelo Mato Grosso do Sul. Entusiastas lançam a ideia há meses, mas a ministra tem dito a interlocutores que não tem interesse em retornar à Câmara e que acredita ter muito mais a contribuir na Agricultura. / Colaboraram Emilly Behnke, Nicholas Shores e Daniel Galvão.

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