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Guedes deverá ser o substituto de Rodrigues no Ministério da Agricultura

O engenheiro agrônomo Luís Carlos Guedes Pinto deverá mesmo substituir Roberto Rodrigues no Ministério da Agricultura. Secretário-executivo do ministério, Guedes teve o nome citado na manhã desta quinta-feira, na reunião da coordenação política do governo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como o substituto "natural" de Rodrigues.Lula, porém, não fará nenhum anúncio oficial antes de ter uma última conversa com o ministro demissionário, marcado para sexta-feira. Às poucas pessoas com quem conversou hoje, Rodrigues disse que saía porque estava muito "desgastado" no governo, recebendo pressões de todos os lados, da bancada ruralista à equipe econômica. "Foi um somatório de coisas", resumiu ele a amigos, negando-se a apontar a "gota d´água".Antes de ir para o ministério, nesta quinta-feira, Rodrigues tomou café da manhã com Guedes, num elegante hotel de Brasília. Logo depois, já na recepção do hotel, mostrou bom humor com a demora de seu motorista. "Quando a gente pede demissão é assim mesmo: nem motorista chega na hora", brincou.Na reunião de amanhã com Lula, Rodrigues deve definir a data de seu desembarque formal do governo. Embora Guedes Pinto seja considerado certo como novo ocupante do cargo, o secretário de Política Agrícola, Ivan Wedekin, continuava sendo lembrado.Uma outra alternativa seria o deputado federal Silas Brasileiro (PMDB-MG), ligado aos cafeicultores. Essa indicação comprovaria a hipótese ventilada na quarta-feira de que a pasta seria entregue ao PMDB em troca do apoio a Lula nos Estados nas alianças regionais que precisam ser concluídas nesta semana. O nome do presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Silvio Crestana, também está na lista.Na tarde de hoje, a cúpula do PMDB - parceiro preferencial de Lula num eventual segundo mandato - apressou-se a negar que esteja de olho no Ministério da Agricultura. Em conversas reservadas, peemedebistas disseram ao Estado que não têm interesse na "herança de crise" desse setor.Nesta quinta-feira, Rodrigues reuniu-se, separadamente, com vários assessores. Ele chegou ao prédio do ministério por volta das 7h e evitou novas explicações para justificar o pedido de demissão. "O que aconteceu é que eu quis ir embora. Chega", disse ele ao Estado. Ele insistiu que se a decisão é pessoal, não tem conotação política e tampouco está ligada a problemas de saúde na sua família. "Eu resolvi ir embora, nada mais do que isso. Simplesmente eu vi que tinha acabado meu tempo e resolvi ir embora", declarou.Às 11h, ele esteve na sede da Embrapa para participar da assinatura do acordo coletivo e do plano de carreira dos funcionários da estatal. À tarde, esteve na sede da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A assessoria do ministério só divulgou a agenda do ministro no final do dia."Plantem, sonhem e construam. Porém, a colheita mais importante é a do amor. Essa é a melhor receita para a felicidade", disse um emocionado ministro aos funcionários da Embrapa. "Duas coisas que ele (Rodrigues) sempre falou e que reforço aqui é sobre a precariedade da vida e a provisoriedade do poder", disse o presidente da Embrapa, Silvio Crestana.Rodrigues também recebeu assessores em seu gabinete para, segundo um deles, "jogar conversa fora". Na noite de quarta-feira, ele convidou os assessores mais chegados para um jantar num restaurante de Brasília. "O ministro tem repetido que o tempo e a história vão dizer a verdade", comentou. Eles não souberam dizer a que "verdade" Rodrigues se referia.HistóricoGuedes Pinto é um técnico ligado ao PT que, na avaliação do Planalto, tem competência e não causa problemas. Em todas as trocas de ministros que no fim de março saíram para disputar as eleições, Lula preferiu preencher as vagas com os secretários-executivos. Motivo: não quis abrir negociações e estimular a guerra entre os partidos de sua base de sustentação no Congresso no fim do mandato.Além do próprio Roberto Rodrigues, Guedes Pinto tem como padrinho o ex-ministro de Segurança Alimentar e Combate à Fome, José Graziano. Em 2003, o atual secretário-executivo da Agricultura ocupou a presidência da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Defende a reforma agrária, mantém bom relacionamento com o Movimento dos Sem-Terra (MST) e com os ministros da área social, mas também tem ótimo trânsito com os titulares da equipe econômica.

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