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Guedes dirá no FMI que inflação assola o mundo e que há preocupações com a volta da pandemia

Ministro da Economia fará apresentação durante o 4º encontro do Comitê Monetário e Financeiro Internacional do Fundo Monetário Internacional (FMI)

Célia Froufe, Brasília

12 de outubro de 2021 | 19h33

Uma das pedras no sapato da economia atualmente, a inflação será um dos principais temas que o ministro da Economia, Paulo Guedes, abordará depois de amanhã durante o 44º encontro do Comitê Monetário e Financeiro Internacional do Fundo Monetário Internacional (FMI), nos Estados Unidos.

Ele dirá que as novas restrições relacionadas à pandemia combinadas com uma forte recuperação na demanda levaram a gargalos de abastecimento global, reduzindo o ritmo de recuperação (principalmente para emergentes) e aumentando pressão sobre a inflação.

Esta é uma das partes do discurso de Guedes, que se tornou público hoje. Além do Brasil, ele falará em nome de Cabo Verde, República Dominicana, Equador, Guiana, Haiti, Nicarágua, Panamá, Suriname, República Democrática de Timor-Leste e Trinidad e Tobago

Segundo o discurso preparado pelo ministro, o progresso contínuo na vacinação é o fator mais importante por trás de uma forte e duradoura recuperação econômica.

“O apoio à política continua crítico, mas o foco deve mudar gradualmente em direção à sustentabilidade fiscal”, considerará, acrescentando que a economia global continua a se recuperar, apesar das preocupações com o ressurgimento da pandemia.

Do lado positivo, de acordo com Guedes, os países exportadores de commodities inicialmente se beneficiaram da melhoria dos termos de troca, situação que, segundo ele, se inverteu parcialmente. “A lacuna de vacinação entre economias avançadas e emergentes estão se fechando potencialmente e reduzindo cicatrizes nos emergentes.” 

O ministro comentará que, enquanto se veem revisões de alta no crescimento potencial para alguns países avançados, o grupo que representa chama a atenção para o impacto dinâmico das reformas estruturais em muitos emergentes, onde o foco está mudando da assistência de emergência para apoio direcionado e escopo fiscal de médio prazo.

“Dito isso, os países de baixa renda (PBR) ainda enfrentam uma implementação considerável de desafios de vacinação, incluindo acesso limitado a vacinas, e deve receber total apoio da comunidade internacional para melhorar suas perspectivas econômicas e de saúde, em última instância impactando a resiliência global à pandemia.

Mercado de trabalho deve melhorar

Um dos trechos da fala de Guedes salientará que o desempenho do mercado de trabalho deve melhorar. “Maior cobertura de vacinação e melhor apoio à renda direcionada aumentará a participação no mercado de trabalho e abrirá oportunidades de emprego no setor de serviços. À medida que a mobilidade aumenta, os mercados de trabalho informais em emergentes e PBR provavelmente vão se recuperar a um ritmo forte, levando a uma redução do desemprego.”  

Consequentemente, conforme o ministro, com o trabalho melhorando o mercado de forma mais consistente, os governos devem buscar reformas estruturais para fechar a lacuna entre os segmentos informais e formais, aumentar as receitas fiscais e a cobertura de esquemas de proteção social.

“Na verdade, gastos mais bem direcionados e maior arrecadação de receitas melhoram os fundamentos econômicos e fortalecem os amortecedores, que serão críticos uma vez que a economia muda para condições financeiras mais apertadas”, argumentará.

Pressões da inflação

Voltando ao assunto da inflação, Guedes dirá que as pressões têm persistido em muitos países, aumentando as apostas no contexto de uma recuperação ainda frágil. “A inflação dos preços de bens e alimentos tem sido significativa e engloba itens essenciais da cesta de consumo. O aumento acentuado dos preços de energia está ampliando as pressões inflacionárias.”  

A resposta defasada da participação no mercado de trabalho, segundo o ministro, também poderá aumentar as pressões sobre a inflação do setor de serviços no futuro. Segundo ele, vários bancos centrais nos países emergentes estão apertando a política monetária, conforme necessário, para ancorar as expectativas de inflação e garantir que o crescimento potencial não é afetado por dinâmicas inflacionárias adversas.

Já os bancos centrais em diveros países têm destacado até o momento, de acordo com Guedes, o caráter temporário da aceleração da inflação e sinalizando a intenção de reduzir os programas de compra de ativos em grande escala mais cedo do que o esperado. 

O ministro ressaltará que as autoridades monetárias dos países avançados devem afinar a remoção do suporte quantitativo de forma cuidadosa, calibrada e comunicada para evitar “dinâmicas de mercado perturbadoras” e repercussões.

No entanto, alertará Guedes, os formuladores de políticas devem permanecer atentos a potenciais movimentos desordenados à medida que a economia mundial faz a transição de um período prolongado de condições financeiras extremamente frouxas.

BC levará inflação para meta em 2022

Banco Central do Brasil tem reagido em linha com seu mandato de trazer a inflação de volta à meta no final de 2022. A afirmação também será feita pelo ministro da Economia.

 Guedes dirá que, com a atividade econômica ganhando ritmo e a combinação de preços de commodities mais elevados e depreciação cambial, pressões de preços se mostraram mais persistentes do que o esperado, fazendo com que as expectativas de inflação para o ano que vem comecem a subir.

"Mais recentemente, componentes voláteis, como tarifas de eletricidade e preços de alimentos, também foram afetados pelas condições climáticas no Brasil, aumentando a pressão sobre a inflação", lembrará ele.

 O ministro continuará dizendo que, em março, um ciclo de aperto foi iniciado, com a taxa básica de juros aumentando em 4,25 pontos-base desde então para um nível acima do que estava antes da pandemia.

"Dada a assimetria no balanço de riscos, o BCB avaliou que, assumindo que não haja mudanças nos fatores condicionantes, uma série de aumentos de juros (até um nível acima do taxa neutra) é necessária para que a inflação convirja para a meta no final de 2022", explicará.

 Guedes falará sobre o combate à inflação depois de citar várias ações do governo para combater as consequências econômicas da pandemia. "Em suma, o Brasil resistiu ao choque da covid-19 muito melhor do que muitos esperavam e está bem posicionado para uma recuperação robusta e duradoura", afirmará.

Por fim, Guedes vai dizer que "uma resposta política rápida, enérgica e eficaz está na raiz deste desempenho. Apesar dos desafios impostos pela pandemia global, temos permanecido totalmente comprometidos com a implementação de nossa agenda de reformas para aumentar a concorrência, eficiência e justiça na economia".

 

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