Adriano Machado/REUTERS
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Brasil e EUA estão em negociações oficiais, diz Guedes

Para governo, visita de secretário do Comércio americano seria primeiro passo para acordo de livre-comércio entre os dois países

Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2019 | 18h12
Atualizado 01 de agosto de 2019 | 11h15

BRASÍLIA - O governo brasileiro considerou a visita do secretário de Comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross, o primeiro passo nas negociações para um acordo de livre-comércio entre os dois países. “Estamos oficialmente começando as negociações com os Estados Unidos”, disse o ministro da Economia, Paulo Guedes, após se reunir nesta quarta-feira, 31, com funcionário do governo americano.

O encontro coincide com as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, feitas na terça-feira, de que vai trabalhar por um acordo com o Brasil. Qualquer redução de tarifas, no entanto, tem de ser feita no âmbito do Mercosul e depende de acordo com os países do bloco.

Na quarta-feira, Guedes fez questão de lembrar que conhece Ross “há mais de dez anos” e afirmou que a proximidade entre os presidentes Bolsonaro e Trump é “um convite à aproximação comercial”. “O Brasil está procurando se integrar à economia mundial. Ficamos décadas fora de grandes acordos”, afirmou.

Depois de se reunir com empresários em São Paulo, Ross encontrou-se com o presidente Jair Bolsonaro e Guedes, no Planalto, e teve uma segunda reunião com o ministro brasileiro e seus secretários no Ministério da Economia.

Nos encontros, foram discutidos temas como o compromisso já assumido com os Estados Unidos de adotar cota de 750 mil toneladas por ano para a importação de trigo sem tarifas e a renovação de uma cota de 600 mil toneladas para etanol, que expira em setembro. As duas questões devem ser resolvidas no segundo semestre.

Pelo lado brasileiro, a intenção, exposta no encontro, é negociar contrapartidas como o aumento da importação de açúcar e autopeças pelos americanos. “Os Estados Unidos têm interesse em trazer etanol e nós temos tecnologia flexível aqui. Para eles entrarem com etanol aqui, temos de colocar açúcar lá.”, afirmou o ministro Paulo Guedes.

Outros compromissos

Nenhum acordo, no entanto, foi fechado nesta visita. Enquanto ambiciona um entendimento mais abrangente com o governo de Donald Trump, o Brasil também vai trabalhar para desenrolar compromissos não tarifários que já vinham sendo negociados há anos e que agora devem ganhar velocidade, como acordos de investimentos, facilitação aduaneira e convergência regulatória.

“Combinamos com (o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Wilbur) Ross de nos engajar em ambas possibilidades”, afirmou o secretário especial de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Marcos Troyjo.

Ele ressaltou, no entanto, que é possível aproveitar a “vontade política” de Estados Unidos, Brasil e Argentina para fazer um acordo de livre-comércio caminhar. “Vamos nos reunir com o Mercosul e estabelecer um cronograma para o acordo. Já perdemos tempo demais na relação com os Estados Unidos, temos de partir para objetivo ambicioso”, completou Troyjo.

Nesta quinta-feira, o secretário americano continua em Brasília e participa de um seminário de infraestrutura onde falará sobre a reconstrução da Venezuela e sobre a competitividade das Américas.

União Europeia

Depois das declarações de Ross, de que é preciso ter cuidado com as “poison pills” (pílulas de veneno) que podem estar escondidas no acordo entre os blocos sul-americano e europeu, Paulo Guedes, disse que é possível conciliar o acordo firmado com a União Europeia com as negociações com os Estados Unidos.

O ministro disse que tanto nas negociações com a União Europeia quanto nas com os Estados Unidos existem produtores com interesse em proteger seus negócios e que questões como subsídios serão sempre questionadas. “Há interesses que podem ser contornados por acordo comercial.”

Segundo Guedes, o presidente americano, Donald Trump, está pensando em uma aliança estratégica para toda a América, e não apenas no âmbito do Tratado Norte-Americano de Livre-Comércio (Nafta).

 


O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que é possível conciliar o acordo firmado com a União Europeia com as negociações com os Estados Unidos. Ele afirmou que o governo do presidente norte-americano, Donald Trump, está pensando em uma aliança estratégica para toda a América, e não apenas no âmbito do Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta). "Há interesses que podem ser contornados por acordo comercial", afirmou. "Temos uma decisão de maior integração. Não se trata de Alca."

Ele se reuniu com o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross, nesta quarta-feira, 31, e disse que foram discutidas questões como a maior importação de trigo pelos brasileiros e de açúcar e autopeças pelos norte-americanos. "Os Estados Unidos têm interesse em trazer etanol e nós temos tecnologia flexível aqui. Para eles entrarem com Etanol, temos que colocar açúcar lá", afirmou.

O ministro afirmou que será reativado um fórum de CE's dos dois países para conversas que incluem fusão de companhias. "Ross mencionou negócio entre Boeing e Embraer, temos que estimular negócios desse tipo", afirmou.

Guedes disse ainda que tanto nas negociações com a UE quanto com os EUA existem produtores com interesse em proteger seus negócios e que questões como subsídios serão sempre questionadas. 

Ele lembrou que os norte-americanos prometeram apoiar a entrada do Brasil na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e disse que eles querem conversas sobre patentes e royalties, que é algo que o Brasil compreende mais do que a China. O ministro ressaltou que o mercado chinês, no entanto, também é importante para o Brasil.

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