Dida Sampaio/Estadão
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Guedes diz que governo não descarta manutenção de estímulos criados na pandemia

Ministro admitiu que tem receio do impacto que o fim das medidas podem causar na economia, mas também disse que a manutenção dos programas de ajuda 'é um desafio'

Lorenna Rodrigues e Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2020 | 18h33

BRASÍLIA - O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta sexta-feira, 6, que a equipe econômica não descarta a manutenção de alguns estímulos econômicos adotados para fazer frente à pandemia do coronavírus.

"Tem medo de retirar os auxílios, os subsídios, e os estímulos ao consumo?", perguntou Guedes, em evento virtual organizado pelo Itaú, para ele mesmo responder: " É um desafio, mas faremos todo o esforço para transformar o que é uma onda de consumo transitória em ondas permanentes de investimento. Não descartamos também a manutenção de alguns desses estímulos", disse o ministro, sem detalhar sobre quais estímulos se referia. 

Desde o início da pandemia, o governo trabalhou com várias medidas para combater os efeitos da covid-19 na economia. O pacote incluiu o auxílio emergencial pago a trabalhadores informais, desempregados e beneficiários do Bolsa Família, um benefício específico para trabalhadores com carteira assinada que tiveram o salário reduzido ou o contrato suspenso, liberação de um saque extra do FGTS, crédito subsidiado, entre outras medidas.

Como mostrou o Estadão, a segunda onda da covid-19 no mundo faz subir a pressão em uma ala do governo e também no Congresso pela prorrogação das medidas de combate aos efeitos da pandemia, principalmente o auxílio emergencial. 

Mas de olho no risco fiscal, a equipe econômica já costura uma solução legal para fechar a porta a uma eventual corrida de ministérios para autorizar gastos na reta final do ano, deixando pagamentos “pendurados” para 2021 por meio dos chamados “restos a pagar” (despesas transferidas de um ano para o outro).  

Segundo Guedes, o governo trabalha para transformar o “empurrão de consumo” trazido pelo auxílio emergencial em crescimento sustentável e impedir que o efeito na inflação se perpetue. “Só existe uma resposta para prolongar efeito, que é o investimento. Esse é o nosso principal desafio”, afirmou.

O ministro voltou a dizer que gostaria que fosse criado o programa Renda Brasil como uma “sequência evolucionária de programas sociais”, como o Bolsa Família. O programa foi alvo de ataques do presidente Jair Bolsonaro depois de que auxiliares de Guedes propuseram congelar aposentadorias e a extinção de outros programas, como abono salarial e seguro-defeso, para financiá-lo, entre outras ideias. Bolsonaro determinou que as discussões do novo programa só sejam retomadas depois das eleições municipais. 

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