Paulo Guedes diz que não teve autonomia atingida em episódio do petróleo

Ministro da Economia viu a interferência do presidente Jair Bolsonaro no preço do diesel como necessidade de maior clareza nos preços-chave da economia

Leticia Fucuchima, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2019 | 01h09

Em entrevista à GloboNews nesta quarta-feira, 17, o ministro da Economia, Paulo Guedes, negou que tenha tido sua autonomia atingida por decisões do governo de Jair Bolsonaro, "nem no episódio do petróleo", se referindo à interferência do presidente no reajuste do preço do diesel que havia sido anunciado pela Petrobras na semana passada. "Não posso me queixar, o presidente tem me dado apoio", afirmou.

Para Guedes, o caso do diesel deixou uma lição sobre a necessidade de se ter clareza e transparência nos preços-chave da economia. Nesse sentido, ele afirmou que o pedido de esclarecimento de Bolsonaro sobre a alta do diesel - que acabou sendo anunciada nesta quarta - foi legítimo.

O ministro comentou ainda que o pacote de medidas anunciado para caminheiros compreende as principais demandas da classe levadas ao governo. "O diesel era a 12ª preocupação (dos caminhoneiros)", disse.

'Cálculo do mercado está errado'

Paulo Guedes avaliou que as projeções do mercado para a economia com a reforma da Previdência em dez anos estão "erradas". Ele reiterou que acredita em um valor em torno de R$ 1 trilhão, ou pelo menos "substancialmente maior" do que os R$ 500 a R$ 600 bilhões estimados por economistas.

Guedes afirmou ainda que, embora o governo venha enfrentando problemas evidentes de articulação política, a coordenação "está melhorando". Quando confrontado sobre o adiamento da votação do parecer do relator da PEC da Previdência na Comissão e Justiça da Câmara (CCJ) da Câmara, o ministro disse que a situação já foi muito pior, lembrando de quando teve que postergar sua primeira ida à CCJ. "É interessante politicamente resolver reforma da Previdência no primeiro semestre."

Ele não quis comentar sobre quais pontos o governo poderá ceder - se limitou a comentar que o governo está preparado para ceder "em algumas coisas e não em outras" - e afirmou que, "aparentemente", a votação do parecer acontecerá na terça-feira, 23.

O ministro da Economia afirmou ainda que, em reuniões com governadores e prefeitos, o apoio à Previdência tem sido "unânime". Mesmo no Congresso, Guedes acredita que os parlamentares sabem que a reforma é "incontornável" e que ela irá acontecer, mas avaliou que "eles querem se sentir parte do processo". "Se não houver reforma, vamos entrar em uma rota conhecida, a da Venezuela", disparou.

Guedes disse ainda que a reforma poderia ter tido uma tramitação mais rápida caso o governo tivesse apoiado a eleição de Rodrigo Maia à presidência da Câmara. "Para mim, era óbvio que teria que haver aliança centro-direita, mas política é política."

'Judicialmente, não tem Congresso no contrato da cessão onerosa'

Paulo Guedes afirmou que a questão da cessão onerosa envolvendo União e Petrobras não precisará passar pelo Congresso. "Juridicamente, não tem Congresso no contrato da cessão onerosa", falou.

A declaração vai contra o entendimento do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Nesta semana, Maia voltou a afirmar que o Congresso precisará dar seu aval à questão. "Para o governo pagar a Petrobras, sem emenda constitucional, tirando o bônus de assinatura do teto, não tem como pagar", disse Maia. "Na parte que cabe ao governo federal, precisa da lei. Precisa passar pela Câmara e Senado", reforçou o parlamentar.

Na entrevista, Guedes observou ainda que o governo definiu em R$ 106 bilhões o valor que será pago como bônus de assinatura pelas empresas vencedoras do megaleilão de petróleo marcado para 28 de outubro.

Fim da Apex

O ministro da Economia ainda declarou que irá acabar com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) caso ela seja transferida do Itamaraty para o Ministério da Economia. "Ela não está comigo, está lá (no Itamaraty). Se estivesse comigo, acabava. A Apex para mim é um órgão redundante", disse.

A agência tem sido alvo de polêmicas e de uma disputa de poder, que culminaram na demissão do embaixador Mário Vilalva na semana passada. Vilalva é o segundo presidente da Apex demitido pelo governo Jair Bolsonaro. O primeiro foi Alexandre Carreiro, demitido ainda em janeiro, depois de entrar em conflito com diretores indicados pelo chanceler Ernesto Araújo.

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