REUTERS/Amanda Perobelli
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Guedes diz que reforma da Previdência tem de ser potente e que é necessário mudar o regime

Ministro da Economia também fez afagos à classe política e afirmou que presidente da República, Jair Bolsonaro, 'está mostrando uma grandeza extraordinária'

André Ítalo Rocha, Daniel Weterman, Mateus Fagundes e Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

05 de abril de 2019 | 12h29
Atualizado 05 de abril de 2019 | 13h54

CAMPOS DO JORDÃO (SP) - O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta sexta-feira, 5, a empresários que é preciso fazer "já" a reforma da Previdência e que ela tem de ser potente. As declarações foram feitas no 18º Fórum Empresarial Lide, em Campos do Jordão (SP). Esta é a primeira vez que Gudes participa de evento no Estado de São Paulo desde que assumiu o cargo de ministro. Também é a primeira fala pública dele desde o bate-boca na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados.

"Tem de atacar a reforma previdenciária já e tem de ser potente. E tem de mudar o regime", defendeu, em crítica ao regime de repartição previdenciária. Para Guedes, diante do "diagnóstico inescapável", "não tem nada a ver com direita ou esquerda" a defesa das reformas.

O ministro criticou ainda os segmentos do setor empresarial que "acham que é melhor ir a Brasília fazer pedidos do que entrar na competição". "Quando eu falo de corrupção, eu não falo de política como um dos principais aspectos", ressaltou.

Em relação ao bate-boca no qual se envolveu na CCJ, quando foi chamado de “tigrão” e “tchutchuca” pelo deputado Zeca Dirceu (PT-PR), Guedes disse que são coisas que “acontecem”. "Eu vou ter medo de perder a paciência, depois de 6, 7 horas de audiência, com quem me desrespeitou? Humores. Acontece", afirmou, arrancando palmas da plateia de empresários e políticos.

Paulo Guedes afirmou também  não acreditar que a classe política deixarrá o tema da Previdência em evidência por mais um ano. "Tem tanta notícia boa vindo na economia que eu me recuso a pensar que a classe política vai carregar este tema por mais um ano. Não dá para ficar mais um ano ao sol com este tema espinhoso", afirmou Guedes, ressaltando a necessidade de se discutir o tema no primeiro semestre.

Entre as "notícias boas", Guedes ressaltou os pacotes para destravar o crescimento econômico, conforme adiantado pelo Broadcast.

Políticos

Guedes fez também uma série de afagos à classe política em sua palestra no evento. Especificamente sobre o presidente Jair Bolsonaro, ele ressaltou que ele tem dado apoio e "está mostrando grandeza extraordinária". "Tenho tido total apoio (da classe política). Primeiro, do presidente da República. Não é fácil para ele, ele teve toda uma outra carreira política, e está mostrando uma grandeza extraordinária", afirmou.

Ele reconheceu ainda que o presidente é um "homem intenso" e disse que há impaciência na classe política em relação à postura de Bolsonaro. "Todos temos defeitos. Mas vamos ver as virtudes", afirmou. Para Guedes, a classe política sabe do tamanho do desafio e entende dos equívocos na economia. "A classe política tem maturidade e liderança suficiente para conduzir a transformação", disse.

Sobre a articulação política para a reforma da Previdência, Guedes defendeu que, "mesmo que haja dúvida sobre aproximação, é inescapável".

Ele também fez elogios ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e ao governador de São Paulo, João Doria (PSDB), presentes no evento. Sobre Maia, Guedes disse que ele tem dado "apoio total". "Ele entende, é experiente, apesar de jovem", afirmou.

Sobre Doria, disse que o tucano é "liderança atuante, construtiva". "Ele faz reuniões, pensa no futuro", afirmou.

Blocos

O Mercosul também esteve entre os assuntos comentados pelo ministro da Economia. Ele disse  que já começou a conversar com o grupo de países para tentar um acerto na negociação comercial com a União Europeia. "Já começamos com o Mercosul, vamos tentar acertar alguma coisa com a União Europeia", disse.

Segundo ele, a abertura comercial será feita num ritmo lento. "Vamos abrir devagarzinho, porque não podemos desmontar nada que nós temos, temos que integrar com o mundo, mas com muito cuidado", disse.

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