Foto: Alan Santos/PR
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Guedes diz que representante comercial dos EUA foi 'um pouco duro' em reunião

Estados Unidos querem que Brasil deixe lista de beneficiados da Organização Mundial do Comércio (OMC) em troca de apoio à entrada na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE)

Ricardo Leopoldo, correspondente e enviado especial, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2019 | 12h21

WASHINGTON - O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o Representante Comercial dos Estados Unidos, Robert Lighthizer, foi “um pouco duro” na reunião realizada nesta segunda-feira, 18, na qual questões comerciais foram tratadas. “Eu até brinquei falando que ele pensou que eu sou chinês”, destacou. “Ele está analisando país a país para reduzir o superávit comercial que possuem com os EUA. Só que, no caso do Brasil, o País tem um déficit comercial com os Estados Unidos.”

Segundo Guedes, os Estados Unidos querem que o Brasil deixe a lista de países de tratamento especial e diferenciado da Organização Mundial do Comércio (OMC) em troca do apoio norte-americano à entrada na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Segundo o ministro, essa foi a solicitação de Lighthizer. “Eu fiz o meu pedido: quero entrar na primeira divisão. Ele falou: então me ajuda a limpar a segunda divisão.”

A lista de países de tratamento especial e diferenciado da OMC, em que os países se autodenominam, dá vantagens especiais como mais tempo para cumprir acordos e outras flexibilidades.

Contrário à lista, o governo norte-americano quer terminar com o modelo, do qual o Brasil participa até hoje, e quer ajuda do governo brasileiro.

Segundo Guedes, Lighthizer disse que o Brasil precisa entender que para entrar na OCDE teria que deixar a lista de países de tratamento diferenciado.

“Não tem troca, ele que está fazendo essa demanda”, disse Guedes.

Pelo menos dois países membros da OCDE, Coreia do Sul e Turquia, estão na lista de países com tratamento diferenciado.

De acordo com uma fonte que acompanha essas negociações, a questão do governo norte-americano com o Brasil é mais complexa.

“Eles não querem que o Brasil entre por motivos que não sabemos. Cada vez que resolvemos uma questão que levantamos eles criam outro problema”, disse a fonte.

Ao ser questionado se aceita o pedido de Lighthizer, Guedes destacou: “Não vou dizer em que lado vou bater o pênalti.” O ministro apontou que acha que o presidente Jair Bolsonaro levará ao presidente dos EUA, Donald Trump, em encontro na Casa Branca nesta terça-feora, 19, o pleito do Brasil de ingressar na OCDE.

Fórum de empresas

Guedes também afirmou que as conversações comerciais com os EUA estão progredindo e disse com bom humor que agora estão na fase do “empurra-empurra”, na qual os governos americano e brasileiros fazem pleitos mútuos. “Eles dizem: eu quero vender meu porco para você. Nos dizemos, ok, então você aceita minha carne de boi.” Ele apontou que os EUA querem vender etanol de milho e o Brasil contrapôs oferecendo açúcar.

O ministro da Economia afirmou que no encontro com o Secretário do Comércio, Wilbur Ross, ocorrido nesta segunda-feira, 19, foi definido que a autoridade americana viajará para o Brasil em um mês para dinamizar entendimentos comerciais. Segundo o ministro, será recriado um fórum de empresas que fazem mais negócios entre os dois países para ampliar as oportunidades em ambos os lados. O grupo terá 24 corporações. “Já escolhemos as nossas 12 empresas”, apontou Guedes. /COM REUTERS

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