Gabriela Biló/Estadão - 10/2/2022
Gabriela Biló/Estadão - 10/2/2022

Guedes: 'Enquanto tiver confiança do presidente e entusiasmo, estaremos juntos'

Ministro disse que seguirá no cargo ao lado de Bolsonaro, desde que haja uma continuidade da aliança entre conservadores e liberais

Guilherme Bianchini e Guilherme Pimenta, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2022 | 01h02

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que pretende seguir no governo de Jair Bolsonaro (PL) em um eventual segundo mandato, desde que haja uma continuidade da aliança entre conservadores e liberais. Ele concedeu entrevista à Jovem Pan News no fim da noite desta segunda-feira, 22.

"Se vejo que essa aliança está seguindo, estou entusiasmado. Agora, se for um governo só conservador…", ponderou Guedes. "Acredito no caminho da prosperidade, e acho que o presidente Bolsonaro quer fazer esse caminho. Mas tem gente que quer desviá-lo. Enquanto eu tiver a confiança e o entusiasmo dele, nós vamos estar juntos."

Ele acrescentou que a "centro-direita está derrotando a esquerda" nas eleições e citou 2018 e 2020 como exemplos. Caso esse espectro siga no poder, diz Guedes, ele está disposto a continuar no governo. 

Sobre os últimos quatro anos, Guedes disse não se arrepender nem por um minuto de ter aceitado o convite para assumir a pasta. Perguntado sobre uma declaração dada em entrevista ao Estadão/Broadcast de que teria aniquilado sua biografia, ele disse que foi irônico no comentário. "Falei isso de uma forma mordaz. Significa que, se eu fosse acreditar nas fake news que produzem, minha biografia estava aniquilada. E disse, ao mesmo tempo, que meu julgamento será feito pela história", explicou.

Sobre os reajustes aos servidores - tema de interesse de Bolsonaro e motivo de atrito com a equipe econômica -, Guedes destacou que o funcionalismo "merece aumento", mas que a possibilidade está esbarrando no teto de gastos. Ele disse que a lei eleitoral pode ser um entrave para a concessão de reajustes este ano e que, por causa disso, o tema deveria voltar à pauta somente após as eleições.

Bolsonaro sancionou uma verba de R$ 1,7 bilhão para o reajuste de servidores públicos federais no Orçamento de 2022 - hoje, ele acenou com o reajuste apenas para os policiais rodoviários e pediu a "compreensão dos demais servidores". "Separamos o recurso para atender o presidente em relação a salários dos policiais. E a decisão é se concede reajuste e os outros servidores de outras categorias ficam insatisfeitos", falou o ministro.

Agenda econômica

O ministro também falou sobre a agenda econômica do governo. Ele disse não acreditar que a Eletrobras seja privatizada já no primeiro semestre, ao contrário do que tem dito membros da equipe econômica. Questionado, Guedes disse acreditar que a estatal responsável pela geração de energia será privatizada, e espera que isso aconteça rápido. Na última semana, o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou a primeira etapa da modelagem da estatal e tende a julgar a segunda etapa entre março e abril.

O chefe da pasta econômica falou que aguarda ainda para este ano a privatização dos Correios, que está no Senado e é prioridade para o governo, os aeroportos de Congonhas e Santos Dumont, além dos portos de Vitória e de Santos. O ministro também disse acreditar que as privatizações farão parte de um "bom debate" no programa eleitoral deste ano, principalmente porque o líder das pesquisas, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), tem se posicionado contra a venda das empresas estatais. 

Guedes destacou também a importância da aprovação das reformas. Segundo o ministro, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), se comprometeram a dar andamento aos projetos. A revisão da tabela do Imposto de Renda de Pessoa Física, disse ele, deveria ser discutida no âmbito das mudanças tributárias. No mesmo sentido, ele falou que "casos particulares" de reajustes a servidores públicos deveriam ser tratados no âmbito da reforma administrativa.

Crescimento

Guedes afirmou que as projeções do mercado para o Produto Interno Brasileiro (PIB) do Brasil em 2022 apenas crescerão ao longo do ano, podendo chegar até a uma expansão de 1,5%. "Eles pessimistas vão errar de novo, não tenho a menor dúvida. Eles têm errado desde o início. Na última vez em que estivemos presencialmente no G20, chamei a atenção deles pelo seguinte: fazem toda hora previsões onde subestimam o Brasil e superestimam o que acontece com eles, mas, na verdade, vacinamos mais do que eles e estamos crescendo mais do que a média deles. E este ano vai acontecer a mesma coisa", disse  Guedes.

O ministro afirmou que o crescimento do PIB em 2021, que deve ficar em torno de 4,5%, poderia ser de até 6,5%, mas ao custo de uma inflação ainda mais alta. "Aproveitamos a recuperação forte e atenuamos os estímulos fiscais e monetários para que o Brasil possa crescer de uma forma sustentável. Em vez de fazer como no passado, na tentativa de fuga de crises anteriores, que acabaram levando o Brasil ao caos", explicou. 

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