Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Bolsa

E-Investidor: As 10 ações com maior potencial de queda, na visão do mercado

Brasil negocia acordo de livre-comércio com a China, diz Guedes

Sem entrar em detalhes, o ministro da Economia afirmou que o objetivo é ampliar trocas com o país asiático, ainda que isso signifique uma redução do superávit comercial do Brasil

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2019 | 12h16

BRASÍLIA - O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta quarta, 13, que o Brasil conversou com a China sobre a possibilidade de estabelecimento de uma área de livre-comércio entre os países. Sem entrar em detalhes sobre o assunto, Guedes afirmou que o objetivo do Brasil é ampliar as trocas comerciais com o país asiático, ainda que isso signifique uma redução do superávit comercial do Brasil com o parceiro.

“Não me incomodo se nossa balança (comercial) com a China se equilibrar lá na frente”, afirmou Guedes, durante evento do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB, na sigla em inglês), também conhecido como o “Banco dos Brics”, promovido em Brasília em ocasião da 11.ª Cúpula do Brics. “O que queremos é mais comércio com a China.”

Após discursar no evento, Guedes foi questionado por jornalistas sobre como estão as discussões para uma área de livre-comércio com a China. O ministro novamente não entrou em detalhes.

“O governo Bolsonaro chegou com a decisão de buscar o caminho da prosperidade. A integração ao comércio global é um dos caminhos para a prosperidade”, disse. “Entramos no Mercosul e dissemos: ‘queremos continuar nos integrando’. Entramos para a União Europeia e dissemos: ‘queremos continuar nos integrando’. Agora, estamos conversando com os Brics, com o mesmo discurso: ‘queremos continuar nos integrando’.”

O ministro afirmou, porém, que a conversa com a China tem sido sobre como aumentar a cooperação em diferentes dimensões. Em primeiro, na dimensão de comércio. "O fluxo de comércio do Brasil com a China era de US$ 2 bilhões mais ou menos na virada do século. Hoje estamos negociando US$ 100 bilhões”, citou. De acordo com Guedes, a China é o mais importante parceiro comercial do Brasil. “Estamos conversando exatamente como podemos aumentar este grau de cooperação.”

De janeiro a outubro deste ano, o Brasil exportou US$ 21,5 bilhões a mais do que importou da China, segundo o Ministério da Economia. Os chineses respondem por 27,8% das exportações e 20% das importações, o primeiro país tanto nas vendas como nas compras.

No fim de julho, o Brasil iniciou oficialmente as negociações para o fechamento de um acordo comercial com os Estados Unidos, após o Mercosul ter fechado, semanas antes, um acordo de livre comércio com a União Europeia.

Para Entender

Após 10 anos, Brics vive dilema: como continuar relevante?

Surgido para fazer frente à predominância geopolítica dos Estados Unidos, o futuro do grupo que reúne China, Índia, Rússia, África do Sul e Brasil está em debate.

Integração

Para Guedes, o Brasil ainda é uma das economias mais fechadas do mundo. "Estamos trabalhando para mudar isso", acrescentou. "Queremos sair desta armadilha (do baixo crescimento). Uma das ferramentas é a integração. A má notícia é que demoramos a entender isso", afirmou. "Outros parceiros criaram tratados sem envolver o Brasil, porque o Brasil está atrás."

Segundo ele, um dos erros do Brasil nos últimos anos foi ficar "de costas para a integração global" e que uma das consequências é a piora do padrão de vida dos brasileiros. "Nosso padrão de vida está piorando, enquanto o outro lado do mundo sobe", disse, destacando o avanço econômico da China e da Índia - dois dos cinco integrantes do Brics.

Guedes afirmou que o Brasil quer se integrar com o restante do mundo e citou conversas com a China sobre a possibilidade de uma área de livre comércio. Ao mesmo tempo, ele não descartou acordos com outros países ou blocos. "Se pudermos passar para a área de livre comércio com outras áreas do mundo, também queremos", afirmou. "Queremos nos integrar. Vamos fazer 40 anos em quatro", acrescentou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.