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Guedes mostra força com superministério, mas Previdência divide equipe

Divisão é evidente, apesar da sinalização de Bolsonaro de que poderá aproveitar proposta de reforma de Temer

Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2018 | 20h44

BRASÍLIA - Sem medo de desgaste logo no inicio do governo, o economista Paulo Guedes ganhou a queda de braço com os grandes industriais brasileiros e conseguiu o aval do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) para manter o seu plano inicial de formar um superministério da Economia com a fusão dos ministérios da Fazenda e da Indústria e Comércio Exterior e mais o Planejamento.

“Vamos salvar a indústria brasileira apesar dos industriais brasileiros”, ironizou.

O “Posto Ipiranga” de Bolsonaro mostrou força e terá um poder gigantesco, afastando a polarização que existiu nas últimas décadas entre Fazenda-Mdic- Planejamento no debate interno para a definição dos rumos de política econômica. Agora, uma voz única e mais alta deve dominar. A indústria, com medo do corte das renúncias e da abertura comercial, era logicamente contra.

Na área política, porém,  as divergências em torno do modelo de reforma da Previdência ficaram mais evidentes , mesmo depois do movimento de Guedes para enquadrar  o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS)  ao afirmar que as declarações do futuro ministro da Casa Civil contrárias à tentativa de retomar a votação da reforma ainda este ano eram comentários de um político falando de economia. “É a mesma coisa do que eu sair falando de política. Não dá certo, né?". Horas mais tarde, Guedes já amenizava o tom ao afirmar que é preciso levar em conta fatores políticos antes de trabalhar pela aprovação da reforma previdenciária neste ano ainda.

Apesar da sinalização de Bolsonaro de que poderá aproveitar “alguma coisa” da proposta de reforma do governo Michel Temer, ficou evidente com as últimas declarações públicas a divisão entre grupos dentro da equipe de Bolsonaro. O grupo militar quer a reforma já – mas eles estão fora das mudanças. Já o grupo político, liderado por Lorenzoni, e com apoio do senador eleito Major Olympio (PSL), é contra a ideia de  buscar a aprovação até o final do ano. 

E até mesmo o grupo econômico em torno de Guedes está dividido, entre aqueles que defendem que o capital político de Bolsonaro com as eleições deve ser usado para aprovar uma reforma mais radical que a enviada pelo presidente Michel Temer e os que não querem perder a hora para se livrar logo do problema. No meio de tudo isso, as articulações do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, para conseguir apoio para a sua recondução ao cargo no ano que vem. A barganha de cargos já começou pela reforma da Previdência.

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