Guedes: proposta agrícola dos EUA está aquém do esperado

O ministro da Agricultura Luiz Carlos Guedes Pinto afirmou nesta segunda-feira que "preliminarmente, a redução de subsídios, prevista na Lei Agrícola dos Estados Unidos (Farm Bill), está muito aquém daquilo que os países exportadores agrícolas, como o Brasil, esperam". A avaliação do ministro foi feita ao final da reunião Conselho Superior do Agronegócio (Cosag), da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). A nova Farm Bill foi apresentada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) na última quinta-feira, dia 31 com propostas de corte e mudanças no sistema de subsídios praticado nos EUA. As propostas apresentadas serão votadas no Congresso norte-americano no segundo semestre. Se aprovado, o projeto pode fazer com que o governo americano corte gastos de cerca de US$ 10 bilhões durante os próximos cinco anos. O ministro destacou a importância da pesquisa em agroenergia e observou que nos últimos anos a Embrapa conseguiu recuperar o nível de orçamento. "No ano passado, pela primeira vez os recursos da Embrapa ultrapassaram R$ 1 bilhão, o que precisamos é de recursos adicionais", afirmou Guedes Pinto. Segundo o ministro, em sua experiência no setor público, aprendeu que uma das fragilidades do setor público é a descontinuidade das políticas. "Por isso, trabalhamos para que haja uma seqüência das atividades realizadas nestes últimos quatro anos". Com base nisso, o ministério elaborou um documento que faz uma análise do período e propõe ações para que haja continuidade destas atividades. Dentre as prioridades destacadas pelo ministro, estão a defesa sanitária, manter os investimentos em pesquisa agropecuária, reformulação da política agrícola brasileira, como o fortalecimento do seguro rural. No caso da defesa sanitária, o ministro garantiu a febre aftosa é um dos itens que vai merecer grande atenção. Ele afirmou que o embaixador brasileiro em La Paz, na Bolívia, participou na última sexta-feira de uma reunião com o ministério do Desenvolvimento Rural. Na ocasião, a ministra Susana Rivero disse que receberia "muito positivamente uma assessoria do governo brasileiro" para combater os casos da doença detectados no país. Segundo o ministro, uma missão de técnicos brasileiros viaja hoje à tarde para La Paz para ajudar o ministério boliviano a controlar os casos de febre aftosa. Ao comentar a política agrícola, Guedes Pinto observou que os recursos para apoio à comercialização somam US$ 2,9 bilhões, dos quais US$ 1 bilhão será usado para escoar a soja, especialmente no Centro Oeste. Com um cenário mais positivo, com preços de mercados mais firmes, o ministro afirma que os recursos podem ser desviados para outras culturas. Perguntado sobre sua permanência no ministério, Guedes Pinto que ainda não definição por parte do presidente Luis Inácio Lula da Silva sobre o assunto. "Qualquer anúncio nesse sentido é prematuro, porque é um tema indefinido", afirma.

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