Edu Andrade/ME - 25/8/2021
'Qual o problema agora que a energia vai ficar um pouco mais cara porque choveu menos?', perguntou o ministro. Edu Andrade/ME - 25/8/2021

Guedes: Qual o problema de a energia ficar um pouco mais cara?

Segundo o ministro, alta da energia 'causa perturbação' para o Banco Central e 'empurra a inflação um pouco para cima'; apesar da crise hídrica, ele diz que 'economia brasileira está furando as ondas'

Sandra Manfrini e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2021 | 21h22

BRASÍLIA - O aumento na conta de luz tem pesado no orçamento das famílias e é um dos fatores que pressionam a inflação, mas o ministro da Economia, Paulo Guedes, não vê problemas. "Qual o problema agora que a energia vai ficar um pouco mais cara porque choveu menos?", perguntou Guedes nesta quarta-feira, 25. "Isso vai causar perturbação, empurra a inflação um pouco para cima, BC tem que correr um pouco mais atrás da inflação”, afirmou no lançamento da Frente Parlamentar do Empreendedorismo.

Guedes disse que a economia brasileira está "vindo com toda a força" após a crise causada pela pandemia da covid-19, mas admitiu que "há, sim, nuvens no horizonte". "Temos a crise hídrica forte pela frente, mas a economia brasileira está furando as ondas", disse.

A crise hídrica levou o governo a anunciar nesta quarta-feira medidas para redução do consumo de energia para toda a administração pública federal. Decreto presidencial editado hoje determina a redução do consumo de eletricidade desses órgãos entre 10% e 20% em relação ao consumo do mês nos anos de 2018 e 2019, ou seja, antes do período pré-pandemia.

Além disso, o governo está pedindo que a sociedade e indústrias façam um esforço pela economia de energia e evitem desperdícios. Quem economizar terá conta menor a pagar e uma premiação pela redução do consumo.

Pressionada pelo aumento da conta de luz, a inflação acumulada em 12 meses chegou à marca de dois dígitos em quatro capitais do País na prévia de agosto: Porto Alegre (10,37%), Goiânia (10,67%), Fortaleza (11,37%) e Curitiba (11,43%). Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira, 25. 

A inflação oficial deve fechar este ano acima de 7%, segundo projeções de uma centena de economistas ouvidos pelo Banco Central no boletim Focus. O próprio BC estima que o índice deve ficar em 6,5% - a meta que teria que ser perseguida é de 3,75%.

Além da taxa extra paga desde julho na conta de luz, as faturas aumentaram, em média, 7% neste ano e, para 2022, a previsão é que o reajuste médio seja de quase 17%, como mostrou o Estadão.

 "O problema agora é que está tendo uma exacerbação por que anteciparam as eleições? Tudo bem, vamos tapar o ouvido, vamos atravessar. Vai ser uma gritaria danada, mas vamos chegar lá, vamos ter as eleições. Vai acontecer tudo que tem para acontecer", disse o ministro. "Se no ano passado, que era o caos, nós nos organizamos e atravessamos, por que vamos ter medo agora?".

Segundo ele, o "abismo fiscal que ameaçava o Brasil foi controlado", por causa de reformas, entre elas a da Previdência. Apesar da covid-19, a economia brasileira "se abre de novo", "temos superávit comercial e corrente de comércio recordes", acrescentou o ministro.

Arrecadação forte

Guedes destacou também o bom desempenho da arrecadação de impostos, e previu que "se a economia brasileira crescer 5,5% neste ano, com a arrecadação vindo forte, é possível o País ter superávit em 2022".

Nesta quarta-feira, a Receita Federal divulgou os dados da arrecadação de julho, quando o País arrecadou com impostos e contribuições federais R$ 171,270 bilhões, um aumento real de 35,47% na comparação com o mesmo mês de 2020.

"A economia está bombando e continua a narrativa de que o governo não faz nada", afirmou o ministro. Ele criticou o que chamou de visões negacionistas e agradeceu o empenho do Congresso na aprovação das reformas e de medidas encaminhadas pelo governo. Guedes destacou ainda a atuação do presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), que, segundo ele, é uma "liderança imprescindível".

Segundo Guedes, os críticos já transferiram o colapso para 2022, ao perceberem que a economia voltou a crescer. "Mas vamos continuar crescendo", disse.

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Governo dará bônus para quem reduzir consumo de energia em casa a partir de setembro, diz ministro

Segundo Bento Albuquerque, de Minas e Energia, o programa de redução voluntária começa a partir do dia 1º; bonificação faz parte de uma série de ações que o governo busca para tentar evitar apagões em horários de pico

Marlla Sabino e Anne Warth, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2021 | 17h27
Atualizado 25 de agosto de 2021 | 20h23

 BRASÍLIA - O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, afirmou que o programa de redução voluntária voltado para consumidores residenciais iniciará a partir de 1º de setembro. O governo vai dar descontos nas contas de luz de consumidores residenciais que economizarem energia elétrica,  como antecipou o Estadão/Broadcast. A expectativa, segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), é divulgar as regras da medida no início da próxima semana.

“O programa está sendo estruturado e contará com definição de meta mínima de redução para concessão de crédito”, informou o ministério em nota distribuída à imprensa. "Estamos avaliando a métrica para todos os consumidores. A ideia do programa é premiar aqueles consumidores que se esforçarem em reduzir a carga e, assim, contribuir para o aumento da segurança, da confiabilidade e do custo de geração", disse o secretário de energia elétrica do ministério, Christiano Vieira.

Sem muitas explicações, o secretário deu a entender que os descontos na conta de luz prometidos pelo governo aos que pouparem energia seriam pagos via Encargo de Serviços do Sistema (ESS) - uma taxa que é cobrada na própria conta de luz via tarifas ou bandeiras tarifárias. Dessa forma, o "bônus" seria custeado pelos próprios consumidores, tanto os atendidos pelas distribuidoras, como os residenciais, quanto pelos que operam no mercado livre, como as indústrias. As regras da medida, no entanto, só devem ser apresentadas no início da próxima semana.

Vieira afirmou que havia uma escassez bem caracterizada nos reservatórios localizados no Sudeste, considerado a caixa d'água do sistema elétrico, mas que as perspectivas de chuvas na região Sul não estão se concretizando. Durante entrevista coletiva, ele citou aprovação para aumentar a transferência de energia do Nordeste para Sudeste e Sul, para aproveitar a geração de usinas eólicas.

Para garantir o abastecimento de energia elétrica, o governo tem autorizado o acionamento de usinas termelétricas, até mesmo as mais caras. Segundo o secretário, hoje há usinas em uso que custam acima de R$ 2 mil por megawatts-hora (MWh). 

O governo espera, segundo ele, que o programa de redução de consumo voluntário voltado para os grandes consumidores (como a indústria), e as demais iniciativas, sejam opções mais "econômicas". "Com economia voluntária, poderemos não colocar em operação usinas com custo acima de R$ 2 mil/MWh", afirmou.

Apesar do incentivo financeiro para economia de energia, as medidas adotadas para evitar racionamento e apagões vão custar caro para o consumidor. Conforme mostrou o Estadão/Broadcast, cálculos internos apontam a necessidade de que a bandeira vermelha nível 2, hoje em  R$ 9,49 a cada 100 quilowatts-hora (kWh), seja elevada para algo entre R$ 15 e R$ 20. Há ainda um cenário-limite de até R$ 25, mas é improvável que ele seja adotado. A bandeira para setembro será anunciada na sexta, 27. A bandeira vermelha 2 está vigente desde junho.

O governo ainda decretou a redução compulsória do consumo de eletricidade na administração pública federal. Órgãos e entidades deverão reduzir entre 10% a 20% o consumo de eletricidade de 1º de setembro a abril de 2022. Os órgãos deverão apresentar justificativas em casos em que não conseguirem atingir a meta de redução. 

Em entrevista coletiva nesta quarta-feira, o ministro afirmou que “todos sabem que o custo da geração de energia tem aumentado em face da geração termelétrica”, mas descartou racionamento. "Isso tem que ficar muito claro", afirmou. 

Medidas

A bonificação para consumidores residenciais faz parte de uma série de ações que o governo busca para tentar evitar apagões em horários de pico, quando há mais demanda por energia. Na segunda-feira, 23, o MME publicou as regras para o programa similar de redução voluntária do consumo de energia, mas voltado para grandes consumidores, como as indústrias. Em contrapartida, as empresas vão receber compensações financeiras.

Para possibilitar uma maior adesão ao programa, o governo acatou pleitos de agentes do setor e reduziu o lote mínimo de economia que as empresas devem oferecer de 30 megawatts médios (MWm) para 5 MWm. As propostas deverão ser apresentadas ao ONS e serão analisadas pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE). A medida valerá até 30 de abril de 2022.

Sem chuvas

Bento Albuquerque afirmou que as perspectivas de chuvas até o fim do período seco deste ano, meados dos meses de setembro e outubro, “não são boas no momento”. Em entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira, 25, ele afirmou que os meses de julho e agosto registraram a pior quantidade de águas que chegaram nos reservatórios da série histórica.

“As perspectivas para o futuro que temos até agora, em termos de precipitação até o final do período seco, não são boas. Permanece com a perspetiva de menores precipitações até o final do período seco, até o final de setembro, outubro”, afirmou.

O ministro afirmou que o governo monitora o setor elétrico 24 horas por dia e que nesta semana foram realizadas reuniões importantes de forma extraordinária, do CMSE e da Câmara de Regras Excepcionais para Gestão Hidroenergética (CREG).

“Identificamos que os meses de julho e agosto foram os piores meses da série histórica de monitoramento do nosso setor elétrico. Particularmente, os reservatórios da região Sul, que corresponde a 10% da nossa capacidade de armazenamento e dos reservatórios do Sistema Interligado Nacional  como um todo. Isso evidentemente que causa consequência para a gestão hidroenergética do nosso sitema”, afirmou.

O País enfrenta a pior crise hídrica nos últimos 91 anos, com grave escassez nos reservatórios das principais usinas hidrelétricas. Na terça, 24, o Ministério de Minas e Energia (MME) admitiu, em nota, uma “relevante piora” no cenário hídrico do País e nas projeções para os próximos meses. O governo anunciou novas medidas para restringir o uso de água e afirmou ser “imprescindível” a adoção de todas as ações em andamento e propostas para garantir o fornecimento de energia.

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Bolsonaro edita decreto que obriga racionamento de energia em órgãos públicos

IPCA-15 acumula alta de 9,30% no período de 12 meses, segundo o IBGE; aumento no gás de botijão também pesou no indicador

Bruno Villas Bôas, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2021 | 09h15
Atualizado 25 de agosto de 2021 | 11h02

RIO - Puxado pelo aumento da energia elétrica, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15),  uma prévia da inflação oficial do País, subiu 0,89% em agosto, após ter avançado 0,72% em julho, informou nesta quarta-feira, 25, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi a maior alta para o mês de agosto desde 2002, quando o índice avançou 1,00%.

O resultado superou a maioria as estimativas de analistas consultados pelo Projeções Broadcast, de 0,84% para agosto, mas ficou dentro do intervalo das projeções, de 0,65% a 0,92%.

Com a leitura de agosto, o IPCA-15 acumulou alta de 5,81% no ano e de 9,30% em 12 meses. Neste caso, as projeções iam de 9,04% a 9,33%, com mediana de 9,25%. A última vez que a inflação média do País em 12 meses ultrapassou a barreira de 9% foi em maio de 2016 (9,62%). Mas em quatro logais pesquisados o índice chegou à marca de dois dígitos:  Porto Alegre (10,37%), Goiânia (10,67%), Fortaleza (11,37%) e Curitiba (11,43%).

Uma das principais responsáveis pela alta da inflação neste ano, a energia elétrica residencial ficou 5% mais cara em agosto, segundo o IPCA-15, exercendo o maior impacto (0,23 ponto porcentual) entre os subitens pesquisados. A alta dos preços da energia foi, inclusive, mais intensa do que a verificada em julho, quando havia ficado 4,79% mais cara.

A bandeira tarifária vermelha patamar 2 vigorou nos meses de julho e agosto, mas, a partir de 1º de julho, houve reajuste de 52% no valor da taxa extra, que passou a cobrar R$ 9,492 a cada 100 kWh, antes, o acréscimo era de R$ 6,243. Além disso, o resultado foi consequência dos reajustes tarifários nas contas de luz em Belém, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre.

Com a leitura do mês, o grupo de habitação - que inclui a energia elétrica - apresentou alta de 1,97% em agosto, após avanço de 2,14% em julho. Tabmém contribuíram para o resultado o aumento do gás de botijão (3,79%) e do gás encanado (0,73%). No lado das quedas, ficou mais barata a taxa de água e esgoto (-0,49%), por conta da mudança na metodologia de cobrança das tarifas em Belo Horizonte (-6,40%).

A segunda maior contribuição para o IPCA-15 deste mês veio dos transportes, com aumento de 1,11%, seguida por alimentação e bebidas (1,02%). A única queda foi em saúde e cuidados pessoais (-0,29%).

No grupo dos transportes, os preços dos combustíveis (2,02%) aceleraram em relação a julho (0,38%). A principal contribuição veio da gasolina, que subiu 2,05% no mês e 39,52% em 12 meses. Também tiveram alta os preços do etanol (2,19%) e do óleo diesel (1,37%), enquanto o gás veicular registrou queda de 0,51%.

A deflação no grupo saúde e cuidados pessoais se deve principalmente à queda nos preços dos itens de higiene pessoal (-0,67%), produtos farmacêuticos (-0,48%) e plano de saúde (-0,11%).

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