Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Guedes rechaça a investidores classificação de 'fura-teto' de 'PEC da covid'

Em encontro virtual, ministro da Economia disse que intenção da PEC é tentar resolver a necessidade de mais despesas no momento e reforçou que a prioridade agora é o combate à pandemia

Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2021 | 19h46

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse a investidores nesta terça-feira, 13, que não considera a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) - que deixa algumas despesas ligadas à pandemia, como as da saúde, fora do teto de gastos - como "fura-teto", nome pelo qual o texto vem sendo chamado pelo mercado. A negativa de Guedes é de acordo com participantes de encontro virtual que reuniu mais de mil investidores brasileiros e estrangeiros e durou cerca de 90 minutos na tarde desta terça-feira, 13, e que foi organizado pelo Bank of America.

Para Guedes, ao lidar com gastos extraordinários não recorrentes, por conta da forte piora da pandemia nesta segunda onda, a intenção com a PEC é tentar resolver a questão da necessidade de mais despesas neste momento. A prioridade do governo neste momento é lidar com esta segunda onda, disse ele, segundo participantes. Eles contaram que o ministro mostrou certa irritação pelo texto estar sendo chamado de "fura-teto".

Sobre o imbróglio envolvendo o orçamento de 2021, Guedes afirmou aos participantes que o clima é de "cooperação" entre o governo e o Congresso e espera resolver a questão em uma a duas semanas.

Assim como falou recentemente na reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI), Guedes repetiu hoje aos investidores que participaram do encontro do Bank of America que a prioridade do governo é o combate à pandemia e a vacinação em massa, que vai ajudar a acelerar a retomada da atividade a partir do segundo semestre.

"A melhor política econômica no Brasil é vacinar a população", disse o ministro hoje, usando uma frase que tem falado nos últimos dias. Ele previu aceleração forte no ritmo de vacinação e imunização de parte importante da população em "três a quatro meses". A aceleração do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo semestre será reflexo dessa vacinação, disse ele.

O ministro afirmou ainda que a regra é "ponderação e foco" nos gastos com transferência de renda, evitando excessos que ocorreram em 2020. Ele frisou aos participantes que é importante neste momento seguir com os programas do governo para a pandemia, que se chegarem a 1% do PIB, ou no limite a 2%, não haverá maiores problemas.

Privatizações

Com relação ao PIB, Guedes frisou que o crescimento deve vir do investimento privado. O ministro falou ainda da intenção de privatizar a Eletrobrás e os Correios. Para as reformas, afirmou estar particularmente otimista com a chance de aprovação da reforma administrativa e vê a tributária saindo em 2021.

Guedes garantiu aos participantes que não haverá aumento de impostos no Brasil e comentou sobre os Estados Unidos, onde o pacote de Joe Biden prevê elevação dos tributos.

O ministro falou ainda do projeto do governo de criar uma espécie de "dividendo social", que seria reter por volta de 20% da distribuição dos lucros de estatais e repassar para a população mais vulnerável, contou um dos participantes do encontro.

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