Guedes relata agenda corrida em Davos e diz que se fala 'muita bobagem' para o Brasil

Guedes relata agenda corrida em Davos e diz que se fala 'muita bobagem' para o Brasil

Ministro desabafou sobre como alguns veículos de imprensa têm relatado a participação da equipe econômica durante o Fórum Econômico Mundial e diz que está só 'na base do sanduíche'

Célia Froufe, enviada especial

23 de janeiro de 2019 | 10h33

DAVOS - O ministro da Economia, Paulo Guedes, desabafou sobre como alguns veículos de imprensa têm relatado a participação da equipe econômica durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos. "Quanta bobagem se fala para o Brasil", criticou, mostrando algumas notícias no seu celular que o citavam.

Uma delas, segundo o ministro, trazia que ele havia "fugido" de uma sessão com o Fundo Monetário Internacional (FMI). "Eu não tenho um segundo de calma (em Davos). Hoje já fiz reuniões com BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e outra mediada por Tony Blair", citou.

Nesta última, ele relatou que se tratou de um painel sobre infraestrutura, com ministros de Finanças de outros países e organismos multilaterais internacionais. "Discutirmos como esses organismos podem ajudar a trazer o setor privado por meio de Parcerias Público-Privadas (PPP) para investirem em infraestrutura no mundo inteiro", relatou, dizendo que porta-vozes de vários bancos de investimento multilaterais, como do BID e do Novo Banco de Desenvolvimento (mais conhecido como Banco dos Brics), também estavam no painel.

"Desde cedo estou em reuniões", alegou e, se voltando para a reportagem do Broadcast, disse: "Você tem me acompanhado e tem visto isso, então tenho que escolher painéis. Tive que escolher", argumentou. Ele explicou que realmente preteriu a sessão do FMI a outro que atendia mais às necessidades atuais do Brasil, mas não se lembrava qual exatamente era por causa da intensidade de sua agenda no evento de Davos.

"O FMI era problema nosso dos anos 80 e 90. Nosso problema hoje é infraestrutura. Não estamos em situação de crise de balanço e pagamentos. Por isso preferi ir para outro lugar", disse. Ele também relatou que por causa da correria das agendas de compromissos que vem tendo durante o Fórum, não tem tido tempo nem para se alimentar. "Estou só na base do sanduíche."

Previdência

Após uma manhã de reuniões bilaterais, Guedes, afirmou que levará a reforma da Previdência ao Congresso Nacional logo após o inicio das atividades do Legislativo, garantiu que a equipe econômica vai trabalhar para que a aprovação da proposta seja rápida e avaliou que os investidores estrangeiros estão "animados" com o novo governo do País.

"Todo mundo está muito animado", disse a jornalistas. Segundo ele, entre todas as propostas de mudanças que o governo vem falando, a mais aguardada pelos investidores internacionais é a da Previdência. "Todo mundo está ligado na reforma da Previdência por causa da questão de sustentabilidade fiscal", considerou. Em resposta à consideração de que muitos investidores estrangeiros dizerem que só terão mais confiança em relação ao Brasil quando a proposta de reforma começar a ser analisada, Guedes respondeu que "sim, [o projeto de reforma] tem que ser aprovado".

Por isso, de acordo com Guedes, é que a equipe econômica decidiu apresentar a proposta tão logo o Legislativo inicie seus trabalhos - isso deve acontecer a partir de 1º de fevereiro. "Não sei se na primeira semana, mas assim que o Congresso chegar, vamos apresentar a proposta. Até não estou colocando outras coisas para não entupir a pauta", explicou.

Ele disse que não tem como fazer estimativas sobre o tempo que deputados e senadores tomarão para avaliar as sugestões do Executivo. "Mas vamos tentar que seja bem rápido", disse. "Estou muito otimista", acrescentou. Questionado se não será complicada a aprovação já que se trata de um Congresso novo e fragmentado, ele respondeu: "Acho que vai ser legal [a negociação]."

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