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Guedes toca o terror ao falar de hiperinflação

Ministro disse nesta terça-feira que o Brasil pode "ir para uma hiperinflação muito rápido", se não rolar a dívida satisfatoriamente

Adriana Fernandes*, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2020 | 14h16

É sabido que o risco de alta de inflação no Brasil entrou no radar na economia, mas está fora de tom a declaração do ministro da Economia, Paulo Guedes, de que o Brasil pode "ir para uma hiperinflação muito rápido", se não rolar a dívida satisfatoriamente.

Parece mais uma fala descuidada, usando hipérboles para chamar a atenção do público de dentro (presidente Jair Bolsonaro, colegas de ministério, lideranças do governo e companhia) do que um alerta para os riscos próximos de hiperinflação no Brasil- um processo de inflação fora de controle a níveis muito elevados e com encarecimento rápido dos produtos. Houve reação à declaração, com subida do dólar. 

A fala de Guedes é, acima de tudo, contraditória com o discurso otimista de Guedes de que a economia está saindo da crise provocada pela pandemia, melhor do que a maioria dos outros países e terá um futuro promissor de crescimento em 2021.

O pior é que, com esse alerta, Guedes ignora o papel (ou a efetividade) do Banco Central (BC) na condução da política de juros. Para ter hiperinflação, a política monetária teria que ficar 'acomodatícia' por um bom período. É isso que Roberto Campos Neto, presidente do BC, vai fazer? Deixar desancorar as expectativas de inflação?

É como se o ministro e sua equipe não tivessem nada a ver com a política fiscal. Essa, sim, que está no centro da desconfiança dos investidores com os rumos das contas públicas e tem dificultado a vida do Tesouro Nacional para financiar a dívida.

O medo é com o futuro da trajetória explosiva da dívida pública e a falta de resposta do governo. Apesar do cenário desafiador e do risco de contaminação da inflação e de alta dos juros, o governo decidiu parar tudo para não atrapalhar as eleições municipais.

Nesta situação, o risco de inflação é maior do que se supõe, principalmente por conta da alta do dólar e do seu repasse para os preços. O processo é rápido mesmo. Todo cuidado é pouco. Mas, mesmo se Guedes fosse um observador externo, já seria forçado falar em hiperinflação.

O Brasil tem trauma de hiperinflação. A procura por dólar para proteção pode aumentar. Em vez do alerta, Guedes tinha que ter conscientizado o presidente Bolsonaro e colocá-lo para trabalhar pelas reformas e aprovar um Orçamento de 2021 crível, que aponte rumos. A hora da verdade chegará no próximo dia 16, o day after da eleições. Para quem fala o ministro Paulo Guedes? Se há risco de hiperinflação, onde está o BC?

*REPÓRTER ESPECIAL DE ECONOMIA DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

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