Guerra causou prejuízo de R$ 1,3 bilhão à Petrobras

A guerra do Iraque causou um prejuízo de R$ 1,3 bilhão à Petrobras, informou hoje o diretor financeiro da estatal, José Sérgio Gabrielli, durante uma teleconferência com analistas. O executivo explicou que a companhia comprou estoques antes da guerra, no primeiro trimestre, quando o preço estava mais alto, e utilizou os produtos no segundo trimestre, quando o valor do barril estava mais barato. O diretor lembrou que esse foi um dos motivos que fizeram o custo dos produtos vendidos da Petrobras subirem de R$ 12,480 bilhões no primeiro trimestre para R$ 13,172 bilhões no segundo trimestre do ano.Já o preço médio de realização (preço de venda dos derivados) caiu 10% no segundo trimestre de 2003, com impacto na queda do lucro da companhia, em comparação com o primeiro trimestre, explicou José Sérgio Gabrielli. A queda no preço médio de realização é resultado da redução dos preços da gasolina e do diesel em maio e não foi compensada pelo aumento das vendas no período. Segundo ele, houve um acréscimo de 12% nas vendas totais no segundo trimestre, puxado pelo gás natural (18%), gás liquefeito de petróleo (5%) e pela manutenção das vendas de diesel, principal produto da estatal. O aumento das vendas representa uma reversão do quadro do primeiro trimestre, quando estiveram comprimidas devido à retração econômica no Brasil. Dólar teve impacto positivo de R$ 720 milhõesO diretor financeiro da Petrobras informou também que o impacto líquido do câmbio no resultado da estatal foi positivo em R$ 720 milhões. Em teleconferência com analistas, o executivo informou que a apreciação do real tende a ser favorável para a empresa, que tem dívida atrelada à moeda americana. Mas, lembrou que como a estatal tem grande parte de suas receitas em dólar, muitas vezes, também é beneficiada por uma desvalorização cambial. Isso, segundo ele, depende da resposta que os preços internos vão ter no período.Saldo de provisõesA Petrobras fechou o segundo trimestre com um saldo de R$ 648 milhões em suas provisões para perdas com investimentos em térmicas. As provisões foram feitas no quarto trimestre de 2002 (R$ 724 milhões) e no primeiro trimestre de 2003 (R$ 708 milhões). Segundo o diretor financeiro, José Sérgio Gabrielli, deste montante, a empresa realizou, de fato, perdas de R$ 784 milhões, resultando no saldo de R$ 648 milhões. No segundo trimestre de 2003, porém, a Petrobras provisionou outros R$ 330 milhões, a título de marcação a mercado de turbinas compradas que estão sem utilização. Estas turbinas foram compradas a preços mais altos do que valem atualmente no mercado.P-48 e P-43 estão dentro do cronogramaJosé Sérgio Gabrielli garantiu que as obras das plataformas P-43 e P-48, que ficarão nos campos de Barracuda e Caratinga, na Bacia de Campos, estão dentro do cronograma. As encomendas são tema de uma pendência entre a estatal e a norte-americana Halliburton, contratada para gerenciar as obras, que está sendo resolvida em arbitragem internacional. Gabrielli disse em conferência com analistas de mercado que as plataformas - com capacidade para produzir 150 mil barris de petróleo por dia cada uma - entram em operação no início de 2005. Sobre as licitações das plataformas P-51 e P-52, que estão sub júdice devido a uma liminar obtida pela Marítima, Gabrielli disse que a Petrobras está tentando resolver o problema e, tão logo haja novidades, a empresa informará ao mercado. A Marítima suspendeu a abertura dos envelopes com as propostas para a construção dos cascos das embarcações.

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