Guerra comercial com Argentina pode atingir carros

A guerra comercial deflagrada pela Argentina no front da linha branca (geladeiras e fogões) e marrom (televisores) há cerca de duas semanas corre mesmo o risco de ser estendida para outros setores, como a indústria automobilística, principalmente depois de o ministro argentino de Economia, Roberto Lavagna, ter declarado, recentemente, que pretendia iniciar uma revisão do acordo automotivo entre os dois países, que entrou em vigor ao final de 2000.Já está quase certa uma viagem do ministro de Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, para Buenos Aires na próxima semana, principalmente se a missão brasileira não conseguir chegar a um acordo com os argentinos entre hoje e amanhã.Fontes da indústria automobilística brasileira reconhecem, entretanto, que todo acordo é dinâmico, inclusive o do setor. Mas qualquer revisão teria de ser feita a partir do acordo que está em vigor e o qual precisa ser respeitado, conforme foi celebrado há cerca de quatro ano. O que diz o acordoEsse acordo estabelece, em linhas gerais, um comércio administrado entre os dois países até dezembro de 2005 e, a partir de 2006, prevê a entrada em vigor do livre intercâmbio de peças e automóveis entre os quatro países membros do Mercosul. Isto é, um comércio sem restrição alguma, seja tarifária ou não tarifária.AnfaveaPara a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), no entanto, de concreto não há nada (ainda), a não ser as declarações do ministro argentino, razão pela qual a entidade não vê motivo algum para se manifestar, pelo menos por enquanto. A Anfavea quer saber se, de fato, o governo argentino pretende mesmo rever o acordo, em que condições e quais as propostas. Depois, esperar pela reação do governo brasileiro.NúmerosAntes de 2001/2002, por exemplo, o mercado argentino de veículos chegou a 400 mil unidades por ano. Durante a crise econômica e financeira, caiu para apenas 80 mil. No ano passado reagiu para 120 mil unidades e este ano espera-se a venda de 240 mil veículos.Ainda durante a crise, o mercado argentino chegou a representar apenas 7% das vendas totais brasileiras do setor automobilístico. Com a recuperação, mais do que dobrou, passando para 16%. Nos cinco primeiros meses deste ano, o Brasil exportou pouco mais de US$ bilhão em carros e autopeças para a Argentina. Já os argentinos venderam para o mercado brasileiro US$ 480 milhões.

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