Mandel Ngan/AFP
Mandel Ngan/AFP

Guerra comercial diminui confiança de indústrias americanas, mostra relatório

De acordo com o 'Livro Bege', divulgado pelo BC americano nesta quarta-feira, 18, empresas já elevam preços diante das novas tarifas comercias

O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2018 | 17h43

As indústrias americanas expressaram preocupação com as tarifas implementadas pela guerra comercial entre Estados Unidos e China, com muitas delas reportando preços mais altos e interrupções na cadeia de suprimentos na esteira das novas políticas comerciais, de acordo com o relatório sobre atividade econômica divulgado pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano), conhecido como "Livro Bege".

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Segundo o documento, 10 dos 12 distritos regionais do Fed relataram crescimento econômico moderado ou modesto até agora. O relatório foi baseado em informações coletadas antes de 9 de julho.

O governo do presidente dos EUA, Donald Trump, impôs tarifas de aço e alumínio em alguns países, incluindo China, Japão e Rússia, em março. Trump mais tarde impôs tarifas de 25% sobre o aço e 10% sobre as exportações de alumínio a aliados europeus a partir de 1º de junho. As tarifas de Trump resultaram em tarifas retaliatórias sobre as exportações americanas de alguns países.

Na Filadélfia, "um fabricante de máquinas observou que os efeitos das tarifas do aço têm sido caóticos em sua cadeia de fornecimento, interrompendo as encomendas planejadas, aumentando os preços e induzindo pânico em algumas compras", observou o Livro Bege.

Em Chicago, as empresas expressaram preocupações crescentes em relação ao impacto das disputas comerciais na indústria agrícola. Para um fabricante de latas de Maryland, com as tarifas "ele não conseguiu obter a qualidade do aço necessário internamente e previu a perda de negócios para concorrentes estrangeiros que não enfrentam tarifas de aço".

Ainda assim, o Livro Bege mostrou que o efeito das tarifas ainda não se materializou além de uma queda na confiança de algumas empresas. Em Boston, "os contatos expressaram preocupação com as tarifas, mas nenhum citou questões comerciais que afetem a demanda ou a contratação e os planos de despesas de capital", disse o relatório.

Em alguns casos, as tarifas estão acelerando os negócios dos fabricantes. As empresas de Cleveland "observaram que as preocupações com futuros aumentos de preços relacionados ao comércio e à inflação levaram alguns clientes a acelerar as compras".

Inflação. Os preços subiram em ritmo de modesto a moderado nos Estados Unidos, de acordo com os dados coletados pelo Fed no sumário. O documento aponta que parte do ímpeto visto nos preços veio das tarifas impostas pelo governo de Donald Trump.

"As tarifas contribuíram para o aumento de metais e de madeira. No entanto, a extensão do repasse das empresas para os preços ao consumidor permaneceu de leve a moderada", mostrou o Livro Bege.

Algumas empresas também relataram dificuldade de encontrar mão de obra qualificada e, ao avaliar o mercado de trabalho em solo americano, o Livro Bege mostrou que o emprego subiu em ritmo modesto a moderado na maioria dos distritos, enquanto o aumento de salários também foi na mesma tendência.

Algumas distritais do banco central mostraram que a falta de mão de obra restringiu o crescimento e outras citaram recuperação no ritmo de crescimento salarial. "Os mercados de trabalho foram descritos como apertados e a escassez de mão de obra qualificada foi citada em uma ampla gama de ocupações", relatou o documento.

O Livro Bege apontou, ainda, que houve aumento na demanda por crédito na agricultura e na indústria e que o volume de empréstimos cresceu modestamente em alguns distritos. / VICTOR REZENDE E FRANCINE DE LORENZO, COM DOW JONES NEWSWIRES

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