Matt Dunham/AP
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Disputa entre EUA e China pode prejudicar empresas como Boeing, Intel e GE, aponta Fitch

Governo dos EUA ampliou recentemente aumento de tarifação sobre mais US$ 200 bi em produtos chineses; país asiático promete retaliar

Nicholas Shores, O Estado de S.Paulo

12 Julho 2018 | 13h15

A vulnerabilidade de empresas nos Estados Unidos e na China ao início da guerra comercial travada entre as duas maiores economias do mundo é "limitada". Mesmo assim o recrudescimento da disputa pode impactar principalmente em companhias como Boeing, Intel, Deere, Texas Instrument e GE, todas americanas, mas que atuam em setores sujeitos a enfrentar os maiores riscos para sua receita. 

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A avaliação é da agência de classificação de risco Fitch, que no entanto tenta suavizar a estimativa, afirmando que as empresas de ambos lados contam com uma baixa exposição direta, além de contarem com cenário favorável de uma economia global "relativamente forte" neste momento.

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Entre barreiras direcionadas exclusivamente a Pequim, Washington já colocou em vigor, no dia 6 de julho, tarifas adicionais sobre US$ 34 bilhões em mercadorias chinesas, prontamente retaliadas pelo país asiático. Dessa mesma rodada partindo dos EUA, há ainda tarifas sobre US$ 16 bilhões em importações da China. E, na última terça-feira, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) anunciou o início dos procedimentos para aplicar tarifas adicionais sobre mais US$ 200 bilhões em bens chineses, concentrados principalmente nos setores de telecomunicações, agricultura, construção civil e mineração.

Para contra-atacar as barreiras que ainda não entraram em vigor, a "China poderia aplicar tarifas a todas as importações dos EUA ou retaliar de outras formas", prevê a Fitch em comunicado. 

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"Uma estimativa numérica das implicações financeiras em uma base multissetorial é incerta devido à natureza não testada de uma guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo", reconhece.

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Setores sensíveis. Na avaliação da agência, os setores nos EUA sujeitos a enfrentar os maiores riscos para sua receita são os de tecnologia, aeroespacial, indústria diversificada, bens de capital e carros. 

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"Nossa análise sugere, em um pano de fundo de exposição em geral limitada, uma escalada do protecionismo comercial e efeitos de cascata em cadeias de produção poderia ter um efeito exacerbado sobre empresas nos EUA como Boeing, Intel, Deere, Texas Instrument e GE", aponta a Fitch. "À exceção de Deere e GE, a maioria dessas (empresas) emissoras contabilizam mais de 20% de sua receita da China."

Já as empresas chinesas monitoradas pela agência são "focadas domesticamente, limitando os efeitos diretos de tarifas dos EUA". Ainda assim, a Fitch identificou Hangzhou Hikvision Digital, Hilong Holding, STATS ChipPac, Fufeng e Shandong STON Group como algumas das companhias que têm "exposição mais alta" à disputa comercial entre Washington e Pequim. 

 

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