Andy Wong|AP
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Guerra comercial entre EUA e China preocupa mercado, mas dólar fecha em queda

A moeda americana acumulou alta de 0,16% na semana, marcando a quinta semana consecutiva de valorização no mercado brasileiro

Silvana Rocha, Altamiro Silva Junior e Paula Dias, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2019 | 09h52

O dólar terminou a sexta-feira em queda, mas acumulou alta de 0,16% na semana, marcando a quinta semana consecutiva de valorização da moeda americana no mercado brasileiro. No ano, sobe 1,80%. O aumento do temor sobre os rumos das negociações comerciais entre a China e os Estados Unidos pressionaram o dólar nos últimos dias, mas hoje a sinalização de autoridades chinesas e americanas, incluindo o presidente Donald Trump, de que as conversar vão prosseguir acalmaram os investidores.

No mercado doméstico, as mesas de operação seguem atentas aos avanços da reforma da Previdência, embora hoje o assunto tenha ficado em segundo plano.  Nesta sexta-feira, o dólar teve um dia volátil. Chegou a subir a R$ 3,97 pela manhã, em meio à promessa de Trump de taxar mais US$ 325 bilhões em produtos chineses. A moeda testou mínimas, a R$ 3,93, com o noticiário de que as negociações entre as duas maiores economias do mundo prosseguem, apesar dos reveses dos últimos dias.

No final da dia, o dólar à vista caiu 0,17%, a R$ 3,9453.  Em meio a incertezas internas com a Previdência e externas sobre as negociações entre Washington e Pequim, os agentes utilizam o dólar como hedge, inclusive para operações na bolsa e nos juros, ressalta o gestor da Gauss Capital Carlos Menezes. Ele estima que o preço justo do dólar hoje aqui, levando em conta os fundamentos, estaria na casa dos R$ 3,70. Mas por conta das dúvidas sobre as reformas de Jair Bolsonaro e o ambiente externo, os investidores embutem um prêmio e a moeda segue na casa dos R$ 3,90.  

Resistência

Ao mesmo tempo, o dólar tem tido dificuldade de romper o patamar de R$ 4,00, que tem se mostrado um nível de resistência de alta. Ao longo desta semana, a moeda americana bateu em R$ 3,99 na quarta-feira, mas o patamar tem atraído vendedores e o dólar não se sustenta muito tempo nesse nível. Para Menezes, se a Previdência avançar como esperado na comissão especial, os investidores podem desmontar posições de hedge, fortalecendo o real. Por enquanto, a tramitação no Congresso tem sido mais lenta que o inicialmente esperado, o que fez os agentes redobrarem a cautela.

A piora da tensão comercial entre China e Estados Unidos esta semana levou o Bank of America Merrill Lynch a alertar hoje seus clientes que caso haja uma guerra no comércio entre os dois países, a economia mundial pode entrar em recessão. Já um acordo entre as duas maiores economias do mundo deve estimular a procura por risco, o que pode valorizar as moedas de emergentes.

Bolsa

O mercado brasileiro de ações esteve bastante suscetível aos movimentos do mercado externo nesta sexta-feira, 10, oscilando conforme se alteravam as expectativas em torno da guerra comercial entre Estados Unidos e China. Depois de ter caído mais de 1,5% pela manhã, o Índice Bovespa desacelerou o ritmo e terminou o pregão em baixa de 0,58%, aos 94.257,56 pontos. No acumulado da semana, o índice perdeu 1,82%.  

O principal indicador da B3 caiu em quatro dos cinco pregões da semana. Em todas essas sessões, a aversão ao risco no mercado internacional foi determinante para as ordens de venda de ações. As perdas tiveram início já na segunda-feira, em repercussão ao "tweet" em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que elevaria nesta sexta as tarifas americanas de 10% para 25% sobre US$ 200 bilhões em importações de bens chineses. Desde então, Trump deu diversas declarações, que ora animaram, ora desanimaram os mercados quanto à possibilidade de um acordo comercial entre EUA e China.  

Nesta tarde, o vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, afirmou que as negociações comerciais realizadas nesta sexta correram "razoavelmente bem", enquanto o secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, descreveu as conversas como "construtivas". As informações foram suficientes para inverter as quedas das bolsas de Nova York, que terminaram o dia majoritariamente no azul.   Por aqui, o Ibovespa chegou a tocar o terreno positivo (+0,04%), mas não teve fôlego para uma alta. Ainda assim, terminou o pregão bem distante da mínima do dia, de 93.234 pontos (-1,66%), registrada pela manhã.  

Previdência

"A falta de novidades sobre a reforma da Previdência ao longo da semana deixou o mercado brasileiro à mercê dos mercados internacionais. Mesmo para a próxima semana ainda não se sabe se teremos algo concreto como o mercado gostaria de ver, uma vez que ainda haverá diversas sessões na comissão especial da Câmara", disse Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença Corretora.  Na análise por ações, o destaque ficou por conta de Vale ON (+1,90%). O papel subiu mesmo após a mineradora ter divulgado prejuízo líquido de US$ 1,642 bilhão no primeiro trimestre.

O dado negativo foi atribuído principalmente aos eventos relacionados à barragem de Brumadinho (MG). Segundo Monteiro, da Renascença, os investidores receberam bem a decisão da empresa de fazer o provisionamento integral relativo ao acidente da barragem. Além disso, o diretor de Finanças e Relações com Investidores da mineradora, Luciano Siani Pires, afirmou em teleconferência que a empresa está confiante de que vai conseguir uma decisão final favorável à retomada das operações da mina de Brucutu (MG).

 

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