Guerra comercial entre EUA e China traz tensão às bolsas

Um ano após o colapso do Lehman Brothers, investidores temem por um alastramento do protecionismo

Ricardo Criez, Hélio Barboza e Daniela Milanese, da Agência Estado,

14 de setembro de 2009 | 11h59

A possibilidade de uma guerra comercial entre os Estados Unidos e a China preocupa os investidores internacionais nesta segunda-feira, 14, um ano após o colapso do Lehman Brothers. Os temores sobre um alastramento do protecionismo, em uma economia global ainda em recuperação, interrompem a procura pelo risco verificada nos últimos dias e faz o dólar retomar as forças, derrubando as commodities e as bolsas.

 

Em São Paulo, a Bovespa, o principal índice da Bolsa de São Paulo, iniciou o pregão desta segunda-feira em queda, mas, às 12h03, demonstra reação e registra alta de 0,08%, aos 58.397 pontos. No mercado de câmbio, o dólar, no mesmo horário, era cotado a R$ 1,814 (-0,71%). Em Nova York, às 12h20, Dow Jones apontava queda de 1,89% e Nasdaq subia 1,92%.

 

Veja também:

especialUm ano após auge da crise, economia se recupera

O governo chinês já reagiu com irritação à decisão dos EUA de elevar as taxas de importação dos pneus produzidos na China para até 35%, por três anos, dos atuais 4%. Pequim anunciou que vai abrir uma investigação sobre as compras de carros e frango norte-americanos.

 

O cenário esquenta as próximas discussões da reunião de cúpula do G-20, marcada para 24 e 25 de setembro em Pittsburgh (EUA), já que os comunicados do grupo vêm reiterando a necessidade de impedir uma onda protecionista, a fim de não abalar ainda mais as economias que só agora começam a sair da recessão.

 

Bolsas da Ásia iniciam semana em queda

 

A maioria dos mercados da Ásia encerrou o pregão em baixa nesta segunda-feira. Após os ganhos da semana passada, as bolsas da região sofreram com a realização de lucros e a queda em Wall Street registrada na sexta-feira. A exceção foi a China, que reagiu favoravelmente a fatores locais.

 

A Bolsa de Hong Kong também sofreu influência do declínio nos demais mercados regionais, em particular Japão e Austrália. O índice Hang Seng caiu 229,22 pontos, ou 1,1%, e encerrou aos 20.932,20 pontos, após atingir a maior pontuação em mais de um ano na sessão anterior. As ações do setor financeiro lideraram a realização de lucros. O peso pesado HSBC recuou 0,9%. Banco Industrial e Comercial da China (ICBC) desabou 0,5% e China Life Insurance perdeu 1,6%. Entre as petrolíferas, PetroChina deslizou 1,7%.

 

Já as Bolsas da China estenderam os ganhos, após a comissão reguladora do mercado informar ontem que irá analisar os pedidos de IPOs (ofertas iniciais de ações) de sete companhias que planejavam ser listadas na "Nasdaq" chinesa a partir de quinta-feira. O índice Xangai Composto ganhou 1,2% e encerrou aos 3.026,74 pontos. Já o índice Shenzhen Composto subiu 2,4% e terminou aos 1.041,33 pontos. A alta foi liderada por empresas que têm participação nas companhias que poderiam ser listadas. TDG Holding atingiu a alta limite diária de 10% e Shenzhen Airport subiu 2,4%. Por outro lado, os fabricantes de pneus sofreram com o imposto de importação por parte dos Estados Unidos. Double Coin Holdings atingiu a baixa limite diária de 10% e Aeolus Tyre caiu 3,3%.

 

A desvalorização do dólar sobre o iene e a ligeira queda na taxa de paridade central dólar-yuan levaram a moeda chinesa a se valorizar em relação à unidade dos EUA. No mercado de balcão, o dólar fechou cotado a 6,8289 yuans, de 6,8290 yuans do fechamento de sexta-feira.

Tudo o que sabemos sobre:
mercado financeirobolsas

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.