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Guerra da celulose acirra tensão entre Argentina e Uruguai

Presidentes trocam acusações e chanceler uruguaio diz que ?acabou o tempo de boa vontade com a Argentina?

Ariel Palacios, O Estadao de S.Paulo

13 de novembro de 2007 | 00h00

Além das brigas internas do gabinete, a presidente argentina eleita Cristina Kirchner se depara com uma situação regional incômoda. O problema é o Uruguai, país com o qual a Argentina mantém o pior conflito internacional desde a Guerra das Malvinas em 1982, contra a Inglaterra. O pivô do conflito é a fábrica de celulose da empresa finlandesa Botnia, instalada no município uruguaio de Fray Bentos, sobre o Rio Uruguai, que divide os dois países. Os habitantes argentinos da fronteira com o Uruguai - que fazem piquetes sobre as pontes que ligam os dois países, com a condescendência de Kirchner - exigem o desmonte da fábrica. Eles afirmam que a fábrica causará uma catástrofe ambiental e econômica à região. O governo uruguaio, por sua vez, se recusa a impedir o funcionamento da fábrica, que representa o maior investimento que o país já recebeu em toda a sua história.Na sexta-feira, a fábrica começou a funcionar. No sábado, durante a 17ª Cúpula Ibero-americana, que se realizou em Santiago, no Chile, Kirchner e o presidente uruguaio, Tabaré Vázquez, trocaram em público duras acusações. A discussão levou a relação entre os dois países ao ponto mais tenso desde meados do século 19. SEGURANÇANo fim de semana, o governo Vázquez reforçou a segurança ao redor da fábrica e fechou a fronteira na área de Fray Bentos, para impedir eventuais sabotagens dos manifestantes argentinos. Ontem, o chanceler uruguaio Reinaldo Gargano declarou que "acabou o tempo de boa vontade com a Argentina".Enquanto a Argentina pressiona o Uruguai para fechar a fábrica, o Uruguai revida e, com apoio do Paraguai, pede que na cúpula do Mercosul em Montevidéu, marcada para os dias 17 e 18 de dezembro, seja aprovada a autorização para que os integrantes do bloco façam acordos bilaterais com países de fora da região (no caso uruguaio, o interesse é um acordo com os Estados Unidos. A Argentina e o Brasil rejeitam essa possibilidade.A cúpula, que promete ser de elevada tensão, será realizada uma semana depois da posse de Cristina Kirchner como presidente argentina.Para complicar, os argentinos contrários à Botnia ameaçam protestar em Montevidéu durante a cúpula do Mercosul.Isso poderia criar um cenário delicado, já que, enquanto Cristina estiver reunida com seus colegas presidentes do bloco, existe o risco de que a poucos quarteirões dali a polícia uruguaia possa estar reprimindo os manifestantes argentinos.

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