REUTERS/Dado Ruvic/Illustration/File Photo
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"be water"

Coluna Leandro Miranda: como se moldar à nova economia após a covid-19?

Guerra do streaming pega fogo na pandemia

Netflix reina soberana, mas ganha rivais como a Disney+, que chega à Europa, e a HBO Max, que estreia nos EUA

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2020 | 05h00

Enquanto os estúdios de cinema ainda tentam contabilizar a extensão dos prejuízos, um outro braço da indústria do entretenimento – os serviços de streaming – têm visto um horizonte azul à frente. Isso porque, mesmo depois do fim da pandemia de covid-19, as pessoas deverão continuar passando mais tempo em casa, demandando conteúdo para as horas de folga. Os resultados da Netflix e da Disney+ mostram que há apetite por um cardápio ainda mais variado de conteúdos.

A Disney+, que já atingiu 50 milhões de assinantes desde seu lançamento em novembro, nos EUA, não se intimidou pelo “lockdown” e  continuou pisando no acelerador para estrear em novos mercados europeus, onde o sucesso em terras americanas se repete. Segundo a revista The Hollywood Reporter, um dos poucos obstáculos à Disney+ veio da França, onde o lançamento foi adiado para evitar sobrecarga na rede de internet. A Disney+ deve chegar ao Brasil no segundo semestre.

A chegada da todo-poderosa Disney não afetou a Netflix. No primeiro trimestre, a gigante adicionou 15,8 milhões de usuários à sua base – mais do que o dobro das expectativas, em um efeito direto da pandemia. A empresa, na semana passada, passou o Magazine Luiza como a marca mais admirada durante o coronavírus no Brasil, de acordo com pesquisa da consultoria HSR. Prova de que o cliente está valorizando a “companhia” de séries e filmes da Netflix nesses tempos difíceis.

Embora vários outros serviços estejam disponíveis nos Estados Unidos – como Hulu (também da Disney), All Access (da rede CBS) e Peacock (da NBC), o próximo grande player global a chegar é o HBO Max – serviço de streaming que se venda como “HBO e muito mais”. Chega aos EUA com a clientela embutida de quem já assina a HBO na TV a cabo ou usa o serviço HBO Go (que será descontinuado e substituído pelo HBO Max, que tem bem mais conteúdo).

Com estreia marcada para o dia 27 nos EUA, o HBO Max inclui, além de todo o catálogo do canal que lhe dá nome e é conhecido por conteúdos premium, a oferta histórica da Warner, incluindo filmes clássicos. O novo serviço é a primeira grande consequência da compra da WarnerMedia pela AT&T. 

Após forte lobby capitaneado pela AT&T, que envolveu até o deputado federal Eduardo Bolsonaro (filho do presidente Jair Bolsonaro), a compra da WarnerMedia foi aprovada no Brasil. Há dez dias, o grupo passou a controlar 100% da operação nacional. Era o passo que faltava para que o HBO Max possa chegar ao País, que ainda não tem data para ocorrer.

Quem navega pela HBO Go brasileira já pode perceber evidências do catálogo mais variado que a HBO Max oferecerá no futuro. Hoje, séries voltadas ao público adolescente – como Katy Keene – ou baseadas no universo DC Comics, como Batwoman, já estão disponíveis. Ambas foram produzidas para o canal CW, que pertence à Warner é conhecido por seu conteúdo voltado aos jovens.

A tendência de consumo de entretenimento em casa fez a Universal Pictures decidir lançar em formato digital vários dos filmes que exibiria no cinema nos próximos meses – ao contrário do que fizeram outros estúdios, que adiaram os filmes à medida que os cinemas se mantêm fechados. A tática da Universal é baseada no êxito do lançamento da sequência da animação Trolls, que arrecadou mais de US$ 100 milhões em locação sob demanda.

Soluço

Enquanto vários estúdios apostam fortemente no streaming, o Quibi, voltado a conteúdos de até 10 minutos de duração, sofreu no primeiro mês de vida, com 2,7 milhões de downloads de seu app (o que não significa, necessariamente, assinaturas pagas). Entre os problemas estariam a quantidade limitada de conteúdos – mal que afeta outros serviços, como a Apple TV+ – e o fato de o consumidor ainda desconhecer o Quibi.

 

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