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Guerra do tomate argentina aumenta contrabando de verduras

Em um único caso, aduana flagrou um argentino contrabandeando 7.480 quilos de tomates bolivianos

Marina Guimarães, da Agência Estado,

11 de outubro de 2007 | 15h05

A "guerra dos tomates" na Argentina revelou uma faceta nova para driblar a inflação: ir comprar no país vizinho. O pessoal da aduana detectou um movimento exagerado de argentinos cruzando as fronteiras do país com a Bolívia e o Paraguai nos últimos dias, em pleno boicote contra os aumentos dos preços do tomate. Nesses países, o quilo do produto custa cerca de R$ 2,23 ante os R$ 6,93 que é vendido na Argentina, atualmente, depois do boicote.   A aduana flagrou uma pessoa tentando passar da Bolívia para a Argentina com 7.480 quilos de tomates, violando normas do comércio e sanitárias, segundo informou o jornal Ámbito Financiero.   É comum que, nas cidades fronteiriças, os moradores saiam de seus países para fazer compras. Na maioria das vezes, os funcionários da aduana os permitem passar, "desde que os produtos levados sejam para consumo próprio". O movimento dos últimos dias dobrou e a maioria vai para comprar frutas e verduras que os argentinos reclamam dos preços.   A inflação se instalou nas últimas semanas e até o Presidente Néstor Kirchner convocou a população, na quarta-feira, 10, para "não comprar de quem estiver vendendo mais caro". Preocupado com os preços, mas sem admitir um rebote inflacionário no país, Kirchner promete baixar os preços através de acordos com os supermercados.   Mas os acordos de preços do governo estão fadados ao fracasso e o anúncio de quarta para baixar em 5% os produtos da cesta básica está cercado de ceticismo. Exemplo disso é a batata inglesa que já recebeu 30 milhões de pesos (R$ 17,085 milhões) do governo para compensar os vendedores varejistas para vender o produto por 1,40 pesos (R$ 0,79) o quilo. Porém, nos comércios, a batatinha está sendo vendida por mais de 6 pesos (R$ 3,41) o quilo.     No caso do frango, a história se repetiu: o governo entregou 100 milhões de pesos (R$ 56.952 milhões) em subsídios para que o preço do quilo no varejo não fosse maior que 4,10 pesos (R$ 2,33). Hoje o produto custa entre 5,30 a 12 pesos (R$ 3,02 a R$ 6,83) o quilo, segundo a qualidade. Com a carne aconteceu o mesmo. A propaganda oficial diz que 11 cortes de carnes de consumo popular seriam vendidos por preços razoáveis, entre 6,50 o quilo a 9,30 pesos (R$ 3,70 a R$ 5,29), mas nenhum açougue vende por menos de 10,80 pesos (R$ 6,15).     Os padeiros também fizeram um acordo para manter o preço do pão francês em 2,50 pesos (R$ 1,42) o quilo, em troca da promessa do secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, de compensar a diferença de preços. Mas o quilo do pãozinho custa 4 pesos (R$ 2,27). As peixarias também estão sendo subsidiadas para que a merluza, o peixe mais popular, custe 7,65 (R$ 4,35) o quilo, mas esse valor não existe na prática. A merluza vale, no mínimo, 13 pesos (R$ 7,40) o quilo.   Desde fevereiro do ano passado, que o xerife dos preços, apelido de Moreno, vem publicando listas de 351 produtos vendidos pelos supermercados com quem o governo realiza acordos de estabilidade de preços. De lá pra cá, os preços já subiram mais de 20% e para frear essa alta, o governo propôs esse novo acordo para reduzir 5% o preços de alguns produtos, cujas listas ainda não foram publicadas. A pergunta que paira sobre os ares argentinos é se esse "acordo" terá o mesmo destino que os anteriores.

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