Divulgação/Kaplan
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'Guerra global por talentos está alimentando tendência de employer u', diz especialista em educação

Brandon Busteed usa o termo para descrever a tendência de novos programas de graduação que estão diretamente alinhados aos empregadores

Entrevista com

Brandon Busteed

Juliana Pio, O Estado de S.Paulo

03 de julho de 2022 | 05h00

A criação da Faculdade XP, anunciada no último dia 27, trouxe à tona um conceito ainda incipiente no Brasil: de employer U ou employer university (na tradução livre, universidade conectada ao empregador).  A origem do termo converge com o conceito de educação corporativa e é descrita por Brandon Busteed como a ideia é combinar um diploma com experiências e habilidades relevantes para a carreira.

Em entrevista ao Estadão, o especialista em educação é taxativo ao dizer que esse é o futuro não apenas da educação profissional, mas de 'toda' a educação. "A guerra global por talentos, mais a crescente lacuna de habilidades combinada com dúvidas sobre a prontidão para o trabalho dos graduados universitários, está alimentando essa tendência (de employer U)", diz Busteed. Confira abaixo a conversa com o especialista, que é diretor de parcerias e líder global de inovação do aprendizado do trabalho da Kaplan, empresa global de serviços educacionais. 

O que é o conceito employer U?

Employer U é um termo que usei para descrever a tendência de novos programas de graduação que estão diretamente alinhados aos empregadores ou incorporados ao setor que emprega de alguma forma. Existem várias interações disso, mas o tema é sobre alinhar melhor os diplomas ao que os graduados farão no trabalho.

É uma tendência que vem crescendo no mercado em geral ou apenas em setores específicos, como o de tecnologia?

Não é generalizado, mas um número crescente de universidades está fazendo parcerias com empregadores para criar esses tipos de programas. Há também uma convergência com o crescente movimento de educação como benefício, no qual os empregadores estão fazendo parcerias mais estreitas com as universidades para oferecer diplomas a seus funcionários.

E o que motivou o seu crescimento?

A guerra global por talentos, mais a crescente lacuna de habilidades, combinada com dúvidas sobre a prontidão para o trabalho dos graduados universitários, está alimentando essa tendência.

Quais os benefícios do employer U para a carreira profissional? 

Uma das grandes críticas ao ensino superior é que ele não é relevante e não prepara os alunos para empregos e carreiras. O benefício de um aprendizado mais integrado ao trabalho é que os graduados podem começar a trabalhar rapidamente. Este é um ganha-ganha para o graduado e para o empregador.

Você acha que pode haver uma competição entre empregadores e universidades ou acarretar em uma queda na qualidade do ensino? 

Existem cursos de alta qualidade e também o curso ocasional de muito baixa qualidade em quase todos os campos universitários. O mesmo pode ser verdade para programas desenvolvidos por empregadores. Mas quando as universidades e os empregadores colaboram no currículo, é, em média, pedagogicamente mais sólido e relevante para a carreira do que quando feito individualmente.

Em que o employer u difere das universidades corporativas e da educação corporativa convencional? 

A ideia é combinar um diploma com experiência e habilidades relevantes para a carreira. É um modelo “ambos/e”, não um modelo “ou/ou”.

Você acredita que esse é o futuro da educação profissional?

Não é o futuro da educação profissional. É o futuro de toda a educação. Nas faculdades, a história do futuro será sobre o aprendizado integrado ao trabalho. Para os empregadores, o futuro será sobre o trabalho integrado à aprendizagem.

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