Guerra não afeta crescimento da AL, diz Cepal

Ao contrário dos analistas europeus, que acreditam que a guerra no Iraque atrasará a recuperação da América Latina, os economistas da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) ainda estimam que o conjunto dos países da região vai mostrar um crescimento moderado este ano. De acordo com o diretor da Divisão de Desenvolvimento Econômico desse organismo das Nações Unidas, Manuel Marfan, a economia latino-americana deverá experimentar uma expansão de pelo menos 2% em 2003, mesmo com o forte impacto da guerra sobre os preços do petróleo.A Cepal deve fazer, nos próximos dias, uma ligeira correção para as estimativas divulgadas em dezembro, que previam um crescimento de 2,1% este ano para a América Latina e o Caribe. "Fizemos uma análise de impactos do aumento do petróleo nas economias da região, já que o consideramos como principal fator da guerra, e vimos que eles (os impactos) são muito diversificados para cada um dos países", disse Marfan à Agência Estado, por telefone de Santiago.Embora analistas europeus tenham feito declarações de que a guerra pesará feito viga de concreto na América Latina, atrasando a anunciada recuperação econômica, já enfraquecida depois de ter experimentando uma retração de 0,6% em 2002 e um crescimento nulo em 2000, Marfan explicou que a situação de cada país é diferente. "Países como México, Venezuela, Argentina, Equador e Colômbia, por exemplo, vão se beneficiar com a alta do petróleo. Já outras nações dependentes de cru, como o Chile, vão se ver mais prejudicados", explicou o economista.Há uma semana, durante a sua assembléia anual em Milão, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) informou que, se o conflito no Golfo Pérsico não se agravar e se esticar demais, a América Latina e o Caribe poderiam registrar um crescimento entre 1,5% e 2% este ano. Indagado se a economia brasileira estaria incluída nesse segundo grupo, Marfan respondeu: "O Brasil sempre foi deficitário em petróleo. Mas hoje é muito menos dependente do que antes porque soube ampliar suas fontes energéticas e, por isso, depende mais de seus próprios esforços internos."De acordo com o economista da Cepal, a América Latina será uma das regiões do mundo menos afetada com a guerra. "Não somos uma região totalmente dependente de petróleo. Mas é claro que se houver mudanças drásticas no ciclo da economia internacional com o prolongamento da guerra os efeitos serão sentidos", disse. Mas nem mesmo os Estados Unidos sabem se a guerra se estenderá por um período maior ao previsto antes dos bombardeios a Bagdá. O governo norte-americano se recusa a fazer qualquer prognóstico sobre a duração do conflito, que, segundo declarações dúbias de Donald Rumsfeld, secretário de Defesa, poderia se estender até meados deste ano. O próprio Rumsfeld disse que "o pior ainda está por vir"."Nesse cenário pessimista, certamente a economia norte-americana se verá afetada e, por tabela, as economias que dependem mais dos EUA, como a do México, as dos países centro-americanos e caribenhos", explicou o diretor da Divisão de Desenvolvimento Econômico da Cepal. Marfan lembrou também que, do ponto de vista do mercado financeiro, economias mais vulneráveis, como as do Mercosul, também sentirão esse efeitos. Vale lembrar que as estimativas econômicas da Cepal, que são divulgadas em dezembro e, depois, revisadas em agosto dificilmente escapam da margem de erro.Veja o especial:

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