Guiné nega negociar área da Vale com BTG

Governo confirma conversas com o banco brasileiro, mas diz que se referem ao financiamento de obras de infraestrutura

FERNANDO SCHELLER , DAVID FRIEDLANDER, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2012 | 03h06

O governo da Guiné negou ontem, em comunicado do Ministério de Minas, que esteja negociando com o BTG e a B&A Mineração - empresa do banco e de Roger Agnelli, ex-presidente da Vale - um contrato para exploração das áreas 1 e 2 do complexo de Simandou, considerado a maior reserva inexplorada de minério de ferro do mundo. As áreas pertencem atualmente à mineradora brasileira Vale e à israelense BSG Resources.

O comunicado foi divulgado um dia após o presidente da BSG, Asher Avidan, afirmar, em entrevista ao Estado, que pretende processar o banco de André Esteves e Agnelli, que negociam um contrato de assessoria financeira e estratégica com a Guiné. Segundo o executivo, o contrato seria amplo o suficiente para dar aos consultores brasileiros influência sobre todo o complexo de Simandou, colocando seus interesses em risco.

"O BTG e Agnelli chegaram pela porta de trás. Estão negociando com Alpha Mohamed Condé, filho do presidente (Alpha Condé)", disse Asher, que esteve no Brasil por cinco dias para conversar com advogados sobre a possível abertura do processo.

Na nota divulgada ontem, o governo da Guiné afirma que as negociações com o BTG ainda estão em curso, mas que o contrato se refere ao financiamento de obras de infraestrutura, incluindo a ferrovia para transportar o minério de Simandou, no interior da Guiné, aos compradores internacionais. O comunicado não descarta uma eventual entrada do BTG e de sua empresa de mineração em outras áreas de Simandou, hoje sob responsabilidade da australiana Rio Tinto.

Na nota, o ministro de Minas da Guiné, Lamine Fofana, disse que as negociações com o BTG estão sendo feitas de maneira transparente. "O Estado trabalha de maneira responsável e legal, com todas as partes interessadas, incluindo investidores e operadores do setor de mineração", diz o comunicado. Sobre a presença do filho do presidente Condé nas negociações, afirma que Mohamed Condé participa como conselheiro.

O ministro considerou as declarações do executivo da BSG como um "insulto". O grupo israelense, mais conhecido como um grande produtor mundial de diamantes, atua em países assolados por guerras ou ditaduras. Avidan admite que enfrenta problemas com o governo da Guiné. Segundo ele, o próprio presidente Alpha Condé avisou que prefere ver a Vale explorando sozinha os blocos 1 e 2 de Simandou.

A Vale, que entrou no projeto na Guiné há dois anos e meio, ao comprar 51% da concessão da BSG por US$ 2,5 bilhões, informou ontem que não pretende entrar como coautora em um eventual processo que sua sócia venha a mover contra o BTG e Roger Agnelli.

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