Gustavo Loyola diz que é um bom sinal o governo cogitar aumento no superávit

Ex-presidente do banco Central avalia que o governo tem todas as condições de gerar um superávit, sem deduções, entre 3% e 3,5% do PIB

Ricardo Leopoldo, da Agência Estado,

24 de maio de 2010 | 11h43

O ex-presidente do Banco Central, Gustavo Loyola, afirmou que é um bom sinal o governo estar cogitando a hipótese de elevar o superávit primário neste ano, para além da meta de 3,3% do PIB. A possibilidade foi sinalizada pelo secretário do Tesouro Arno Augustin, segundo apuraram os jornalista Adriana Fernandes e Fabio Graner na semana passada, e apóia-se na alta acima do esperado na arrecadação deste ano, puxada pelo forte crescimento econômico.

"Mas tem que ser um superávit primário mesmo, sem levar em consideração os descontos relacionados a investimentos no PAC", comentou. "Com o incremento das receitas, neste ano, o governo tem todas as condições de gerar um superávit (sem deduções) entre 3% e 3,5% do PIB", disse. Na avaliação de Loyola, mesmo cumprindo a meta de 3,3% do PIB, sem descontar os gastos do PAC, o superávit primário é "expansionista" do ponto de vista fiscal. Portanto, ele não acredita que, atingido esse patamar isso vá diminuir de forma expressiva o aperto monetário que está sendo conduzido pelo Banco Central.

Contudo, Loyola mostra algum ceticismo em relação à possibilidade de o governo conter a partir de agora os gastos públicos. "Já estamos em maio. O superávit primário maior deve ser obtido pelo aumento de arrecadação e não pelo corte de despesas ou gastos. O governo conduz a política econômica com esquizofrênica pois o BC pisa no freio e, ao mesmo tempo, a área fiscal aperta o acelerador", diz.

Loyola acredita que o PIB deve crescer 6,6% neste ano e, com a elevação dos juros, que deve chegar a 11,75% em dezembro, a expansão do País deve desacelerar e ficar mais próximo do seu potencial em 2011, para quando prevê taxa de 4,5%. "O País deve ter crescido de forma muito forte no primeiro trimestre, por volta de 2,5%, e é bem provável que essa velocidade diminua no decorrer do ano", encerrou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.