Gustavo Loyola prega cautela nos juros

O ex-presidente do Banco Central e atual diretor da Tendências Consultoria, Gustavo Loyola, considera possível a retomada da queda na taxa básica de juros (a Selic) em agosto, na medida em que permaneçam os indicadores de queda do risco Brasil e uma estabilidade na taxa de câmbio. Para ele, contudo, uma queda maior na Selic, hoje, seria a mesma coisa que o Banco Central abdicar de perseguir a meta de inflação. "Nós estaríamos operando com metas de inflação mais altas, e isso é ruim do ponto de vista da credibilidade e pode até, eventualmente, obrigar o Banco Central, no futuro, a ter uma política monetária muito mais agressiva, muito mais forte para modificar essas expectativas", disse ele, em entrevista ao programa ?Conta Corrente?, da Globo News. E acrescentou: "O melhor é ir devagar, buscar uma trajetória de queda, pois os juros têm que cair, mas de forma mais cautelosa."Juros e inflaçãoNa avaliação de Loyola, o repique direto da taxa de juros sobre a demanda agregada é baixo no Brasil, mas a questão é que existe uma influência via taxa de câmbio e via expectativas que é um pouco maior. "O problema não é a diferença, por exemplo, de um ponto, um ponto e meio na taxa de juros que possa eventualmente causar uma taxa de inflação mais alta. A questão é que, por seus efeitos indiretos, isso pode levar uma piora nas expectativas em relação à seriedade da política econômica. Isso pode levar a taxa de câmbio a uma trajetória de desvalorização mais acelerada e, no final, termos uma inflação mais alta do que esses 7%, 7,5%, Não se trata de pagar o preço de passar de uma inflação de 6,5% para 7%. É passar de 6,5% para uma inflação maior, que a gente não sabe qual é ou pode ser."Cenário externoSegundo o ex-presidente do Banco Central, o cenário externo no curto prazo para o Brasil vai melhorar. Lembrou que os prêmios de risco já mostram uma queda, a Bovespa está reagindo e a taxa de câmbio está se estabilizando em patamares de três reais por dólar. "Acho que estão se abrindo as possibilidades de o Banco Central retomar a trajetória de queda de juros, não agora, em julho, mas a partir de agosto."

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