GWI reage e cobra indenização da Socopa

Após ser processada pela corretora, gestora de recursos exige compensação de R$ 80 milhões

MARINA GAZZONI, O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2011 | 03h05

Após ser processada pela corretora Socopa, a gestora de recursos GWI reagiu. A empresa do coreano Mu Hak You está cobrando da corretora uma indenização de R$ 80 milhões. Já a Socopa entende que a GWI lhe deve R$ 40 milhões. O caso será julgado na Câmara de Arbitragem da BM&FBovespa.

A origem da disputa são as perdas que o fundo teve em agosto com operações alavancadas em ações da Marfrig, que estavam sob custódia da Socopa. O impasse começou em 5 de agosto, após o rebaixamento da nota de risco dos Estados Unidos pela agência Standard & Poor's, que derrubou as bolsas de valores. A GWI estava fortemente posicionada em operações no mercado a termo, alavancadas em ações do frigorífico Marfrig, sob custódia de quatro corretoras: Socopa, BES Securities , Icap e Diferencial.

Nessas operações, o investidor se compromete a comprar uma ação no futuro por um preço predeterminado. Se o papel valorizar, ele ganha dinheiro. Se cair, ele perde. Para isso, precisa depositar uma margem de garantia de 17% do valor do contrato. Nesse caso, a GWI deu como garantia ações da própria Marfrig.

Como a cotação do papel caiu, a GWI teria de fazer novos aportes para cobrir a garantia na operação. Mas a gestora não tinha recursos.

Segundo o diretor da área de trade da GWI, Walter Munhoz, a Socopa recomendou à GWI, no dia 5, que ela contratasse um linha de crédito de R$ 15 milhões com o Banco Paulista, que pertence ao mesmo grupo da Socopa, para cobrir a sua margem adicional. O empréstimo foi feito e o valor transferido à Socopa. Mas, com a continuidade da queda da bolsa brasileira, a corretora teria solicitado novos depósitos.

"Fizemos uma reunião com todas as corretoras e dissemos para não desmancharem as posições. Se fosse necessário, pegaríamos financiamento para cobrir as margens. Em casos como esse, o pior a ser feito é vender", disse Munhoz. Segundo ele, a Socopa ignorou o acordo e promoveu uma "venda precipitada" de ações da Marfrig na Bolsa.

Na ocasião, a GWI detinha cerca de 5,2% das ações da Marfrig, a maioria delas sob custódia da Socopa. "Não há liquidez para absorver esse volume. A venda precipitada fez os papéis despencaram e aumentou o nosso prejuízo", disse Munhoz.

No período em que as ações da Marfrig em posse da GWI foram vendidas, de 8 a 12 de agosto, os papéis caíram 30%. O volume negociado nesse período foi de R$ 173 milhões ao dia, mais de cinco vezes acima da média de R$ 34 milhões nos pregões deste ano.

Prejuízo mútuo. Para não ficar inadimplente na BM&FBovespa, a Socopa honrou compromissos da GWI. Ela entrou na Justiça para recuperar um prejuízo de R$ 40 milhões. O Banco Paulista também cobra os R$ 15 milhões do empréstimo concedido à GWI. A gestora confirma que não quitou o empréstimo.

A GWI fez suas contas e calcula que R$ 80 milhões dos R$ 430 milhões que perdeu na operação da Marfrig nesse período se devem à atuação da Socopa. A gestora fez uma projeção com base no comportamento dos papéis dos outros frigoríficos - Brasil Foods, JBS e Minerva - para determinar como seria a cotação da ação da Marfrig sem a influência da venda de todo o seu lote.

O advogado Modesto Carvalhosa, sócio do Carvalhosa e Eizirik, que representa a GWI, diz que o erro foi a forma como a Socopa vendeu as ações. "Eles poderiam ter vendido os papéis para cobrir a margem. Mas não a qualquer preço e da forma que foi feito", afirmou. Segundo ele, a GWI fez acordos com as outras corretoras e continua a operar com elas. A gestora era cliente da Socopa há cerca de dez anos.

A GWI também entende que não deve nada ao Banco Paulista e entrou com uma ação de nulidade do contrato de financiamento. Segundo os advogados, os empréstimos foram feitos para evitar que a corretora vendesse os títulos do fundo, operações que foram concretizadas.

Procuradas pelo Estado, a Socopa e a BM&FBovespa não quiseram se pronunciar.

Alto risco. O coreano You é famoso no mercado por fazer investimentos de alto risco, com apostas agressivas em alavancagem. Seus fundos foram fechados para aplicações e resgates em pelo menos duas ocasiões - em setembro de 2008 e agosto deste ano. No momento, operam normalmente. / COLABOROU LEANDRO MODÉ

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