Dida Sampaio / Estadão
Dida Sampaio / Estadão

'Há chance bastante razoável de ter corte de juros no 2º semestre', diz ex-diretor do BC

Na visão do economista, a queda na Selic pode ocorrer mesmo sem sinais claros de que a reforma da Previdência será aprovada

Altamiro Silva Junior e Barbara Nascimento, O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2019 | 13h41

O economista e ex-diretor do Banco Central Alexandre Schwartsman avalia que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deve ficar "mais perto de 1,5%" este ano e vê possibilidade de redução nos juros. "Há chance bastante razoável de ter corte de juros no segundo semestre", disse durante evento do Bradesco BBI, destacando que o corte deve ser moderado, entre 0,50 e 0,75 ponto.

Para ele, a queda na Selic pode ocorrer mesmo se não houver sinais muito claros de que a reforma da Previdência será aprovada. Segundo ele, como a política fiscal está em momento de aperto, por conta da necessidade de se cumprir o teto de gastos, há espaço para a política monetária ser mais frouxa.

"Minha previsão é que o PIB deve crescer de 1,5% a 2% este ano, mais perto de 1,5%", disse no evento, que reuniu ex-diretores do BC. Schwartsman afirmou que não ficaria espantado se houver nova pressão para baixo na inflação, por conta da fraqueza da atividade. A maior alta dos índices de inflação em janeiro e fevereiro pode se mostrar transitória, disse ele.

Ao mesmo tempo, ele ressalta que como o Brasil teve capacidade ociosa muito elevada por muito tempo, os modelos econômicos têm dificuldade de prever o comportamento da inflação. Para ele, o hiato do produto, a diferença entre o que a economia cresce e seu potencial, não deve se fechar este ano.

"Sem reforma da Previdência, o sistema fiscal brasileiro entra em colapso", disse ao defender a necessidade da reforma. A incerteza sobre o futuro do ajuste fiscal é um dos fatores que tem segurado a retomada do investimento, afirmou o ex-diretor do BC.

Para o economista, se houver sinalização de que a reforma da Previdência está bem encaminhada, a taxa de juros neutra da economia, aquela que não gera inflação, tende a ser menor.

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