Ações

Empresas de Eike disparam na bolsa após fim de recuperação judicial da OSX

''Há de fato economia de escala nessa operação''

Para Gustavo Loyola, sócio da Tendências Consultoria e ex-presidente do Banco Central (BC), o aumento do crédito nos últimos anos está puxando o mercado segurador, o que é um dos fatores que explicam o interesse dos bancos no segmento. Como membro do Conselho de Administração do Itaú Unibanco, Loyola preferiu não comentar detalhes mais específicos da unificação das operações de seguros do banco com os da seguradora Porto Seguro. A seguir, os principais trechos da entrevista.Por que aumenta o interesse no mercado segurador brasileiro?É sabido que, comparativamente a outros países, temos uma relação de crédito sobre Produto Interno Bruto (PIB) muito baixa. Isso tem melhorado nos últimos anos e, de certa forma, ajuda a puxar outro indicador parecido, que é o de relação também muito baixa entre os prêmios de seguros e o PIB. Estou falando sempre da comparação do Brasil com países com nível de desenvolvimento semelhante. Há uma avenida muito grande para o crescimento dos seguros em todos os seus ramos. É um mercado bastante promissor. Nos últimos anos, muitas companhias estrangeiras vieram para o Brasil. Por que o mercado de crédito puxa o de seguros?Bem, o que puxa é tanto o crescimento econômico quanto, mais especificamente, a expansão do crédito. Nessa operação do Itaú Unibanco com a Porto Seguro, por exemplo, estamos falando basicamente do segmento de veículos e do residencial. São exemplos de setores nos quais o aumento da demanda está relacionado à expansão do crédito. À medida que a demanda por veículos e residências cresce, ela puxa os serviços associados, entre os quais o seguro. Então, se há uma aposta de que esses mercados vão crescer no Brasil, isso significa automaticamente uma aposta no mercado de seguros.E como o sr. vê o crescimento dos bancos no setor bancário?É a questão do bankassurance, na qual os bancos assumem o papel de participantes do mercado segurador, como distribuidores de produtos de seguro. É complicado para mim dar uma opinião, porque faço parte do Conselho de Administração do Itaú Unibanco. Assim, prefiro me limitar a dizer que há de fato economias de escala nesse tipo de operação, mas não me sinto à vontade para julgar.A liberalização dos resseguros contribui para o interesse no mercado segurador?Sim, é o caso do fim do monopólio do IRB. Mas aí estamos falando de grande riscos, e não do mercado abrangido por essa operação da Porto Seguro.

Fernando Dantas, O Estadao de S.Paulo

25 de agosto de 2009 | 00h00

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.