Leo Martins/Spiti
Leo Martins/Spiti

'Há espaço para as empresas que querem ajudar os investidores'

Para presidente da Spiti, juros baixos estão pressionando as pessoas a investirem de forma mais sofisticada

Entrevista com

Luciana Seabra, presidente da Spiti

Fernanda Guimarães, SÃO PAULO

18 de janeiro de 2021 | 05h00

Ainda uma das poucas mulheres em cargo de comando no mercado financeiro, Luciana Seabra, presidente da Spiti (casa de análise em que a XP tem participação majoritária), conta que a garantia de manter a independência na hora de fazer seus relatórios de aconselhamento de investimento com foco em pessoas físicas foi o ponto que direcionou a escolha de um sócio para a companhia – que em novembro do ano passado completou seu primeiro aniversário.

Luciana diz que conversou com muitas corretoras, mas que a XP foi a única que topou integralmente a exigência. Hoje, a Spiti possui 15 mil assinantes pagos para o relatório de fundos de investimento e 850 mil leitores das newsletters. 

Como você vê o grande crescimento de pessoas físicas investidoras?

O juro baixo está pressionando as pessoas a investirem de forma mais sofisticada, ao mesmo tempo que vemos o lado educacional evoluindo como nunca, algo que me deixa muito feliz. Com isso, há várias pessoas falando de forma aberta nas redes sociais sobre investimentos. De um lado, há um grupo que está trabalhando na conscientização sobre a necessidade de poupar e reduzir dívidas. De outro, haverá um grupo que irá orientar onde colocar o seu dinheiro e esse grupo precisa de qualificação. A Spiti nasceu com a certificação da CVM (Comissão de Valores Mobiliários, regulador do mercado de capitais no Brasil).

E como você vê o espaço de crescimento para casas de análises independentes? 

Há um espaço favorável para as empresas que querem, de fato, ajudar o investidor a enfrentar o mercado e isso não tem relação apenas com tomar risco. Investir também é proteger patrimônio. Receitas para ganhar dinheiro rápido ainda atraem muita gente, mas as pessoas estão mais conscientes. Quem conseguir apresentar essa abordagem e indicar um portfólio diversificado, terá mercado. Estou animada com 2021: as pessoas precisarão diversificar e construir um patrimônio consistente com o longo prazo. 

Como funciona a sociedade com a XP?

Meu negócio é a independência. Falei com muitas corretoras e a XP foi a única que topou. Eu precisava de capital para marketing e tecnologia, mas exigi a assinatura de um termo que garantisse minha independência. Temos liberdade total para falar de qualquer corretora ou banco. Por exemplo: não temos hoje nenhuma recomendação da gestora da XP. Foi um desejo deles de entrar no segmento de casas de análise independente. Eles queriam participar desse mercado. 

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