Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Tenha acesso ilimitado
por R$0,30/dia!
(no plano anual de R$ 99,90)
R$ 0,30/DIA ASSINAR
No plano anual de R$ 99,90

Há espaço para expansão do crédito no País, diz Meirelles

Segundo ele, porcentual das operações em relação ao PIB ainda é inferior ao de outros emergentes

CÉLIA FROUFE, Agencia Estado

09 de novembro de 2007 | 10h58

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou nesta sexta-feira, 9, que, mesmo com a expansão significativa do crédito nos últimos anos, há espaço para mais crescimento. Ele disse que o porcentual de 31% em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) é inferior, inclusive, ao de outros países emergentes. "Ainda há espaço para expansão do crédito no Brasil", afirmou, questionando até que ponto a expansão do crédito pode constituir-se como vulnerabilidade. Meirelles fez palestra durante seminário sobre Perspectivas Econômicas Regionais, organizado pelo Ministério da Fazenda e o Fundo Monetário Internacional, com o apoio da Fundação Getúlio Vargas, onde foi realizado o evento. Meirelles fez uma detalhada exposição sobre a melhora da economia brasileira nos últimos anos e, inclusive, durante o período de crise do subprime. Ele disse que "há preocupações específicas com precificação de ações, mas que isso é parte de um processo de expansão e o mercado vai olhar para isso com muito cuidado". Ele também ressaltou que o mercado de capitais está avançando de maneira muito adequada. E que isso propicia acesso a recursos de maiores prazos, principalmente às grandes empresas.  O ponto positivo ressaltado por Meirelles em relação ao estudo sobre o Brasil que o FMI divulga nesta sexta diz respeito aos avanços realizados recentemente na direção da diminuição da pobreza extrema. "Tivemos queda de sete pontos porcentuais desde 2002 e isso deve-se ao aumento do salário mínimo e à Bolsa Família, entre outros".  Pontos positivos Ele voltou a destacar o comportamento da economia brasileira nos últimos anos e com mais ênfase durante o processo da crise do crédito subprime nos Estados Unidos. De acordo com os dados apresentados por Meirelles, o índice de aversão ao risco em relação ao País atingiu seu pico quando o Banco BNP Paribas anunciou seu congelamento do saque. "Mas, após isso, com a reação do Federal Reserve e do BCE (que injetaram dinheiro nas economias de suas regiões para aumentar a liquidez), a melhora foi revertida", comentou. O presidente do BC comparou ainda a evolução da taxa básica de juros, a Selic (atualmente em 11,25% ao ano), e taxa interbancária no Brasil com as dos mercados americano e europeu. Segundo ele, houve grande volatilidade em todas as regiões, mas nos Estados Unidos e na Europa a Libor e o Fed Fund superaram as metas, enquanto no Brasil não houve descolamento com a meta fixada pelo Banco Central.  "O Brasil, inclusive, tem tido um comportamento recente que começa a se descolar do resto dos emergentes", disse, acrescentando que esses mesmos países, no passado, tiveram um comportamento mais estável que o Brasil. Entre esses países, estão Argentina, África do Sul, Filipinas, Rússia e Turquia. Em relação ao câmbio, Meirelles falou que ocorreu um "fenômeno interessante". Num primeiro momento, de acordo com ele, o Real apresentou uma depreciação maior em relação ao dólar do que outras moedas. Isso ocorreu, na avaliação de Meirelles, em função da liquidez que existia no Brasil e também por causa das expectativas dos investidores que reagiram no episódio do subprime da mesma forma do que no passado. "Mas rapidamente os mercados se adequaram a nova realidade." Meirelles destacou ainda a movimentação do Credit Default Swap (CDS), que mostrou menos volatilidade do que no passado em função da melhora estrutural feita nos últimos anos no Brasil. Segundo ele, o CDS é hoje um dos melhores indicadores de percepção de risco de crédito.  O presidente do BC ressaltou ainda que a melhora apresentada pela dívida líquida em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), o acúmulo de reservas internacionais, a inflação constantemente dentro da meta vem refletindo positivamente no custo de capital para o governo e empresas privadas. Notas do Tesouro As Notas do Tesouro Nacional série B (NTNB) também mostraram um perfil muito similar de piora durante a crise do subprime seguida de melhora a níveis próximos a momentos do passado de mais tranqüilidade. "A evolução da taxa real mais a inflação piorou, mas em seguida se ajustou. O câmbio e as NTNB têm uma correlação recente muito grande", ressaltou. Meirelles analisou ainda os contratos de investidores estrangeiros na BM&F, mostrando num primeiro estágio uma aposta na queda do Real que posteriormente se inverteu. "Houve reversão importante no início do processo, mas que já voltou hoje a níveis próximos ao normal", disse. Segundo ele, isso ocorreu porque existe hoje um cuidado maior das apostas do que no passado recente em que eram unidirecionais. O presidente do BC fez estas afirmações durante apresentação no seminário sobre Perspectivas Econômicas Regionais, organizado pelo Ministério da Fazenda e o Fundo Monetário Internacional (FMI), com apoio da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que sedia o evento em São Paulo. De acordo com Meirelles, não há duvidas que de este é um momento importante para discutir e aprofundar um estudo do fundo sobre a América Latina e o Caribe. Ele ressaltou, no entanto, que se trata de um trabalho muito difícil porque a região apresenta experiências específicas e, em alguns casos, complexas e diferenciadas. "Não é simples detectar tendências, mas existe um processo de convergência na região da consolidação macroeconômica", avaliou. "É um desafio tirar conclusões mais gerais sobre a América Latina e Caribe", concluiu.

Tudo o que sabemos sobre:
Henrique Meirellessubprimecrédito

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.