Há investidores mal informados sobre o Brasil, diz consultor

O diretor operacional da principal consultoria internacional de risco geopolítico, a Control Risks Group, Richard Fenning, acredita que o Brasil pode estar começando a se beneficiar do temor do terrorismo em outras regiões do mundo, atraindo assim um maior interesse dos investidores estrangeiros. Em entrevista à Agencia Estado antes de iniciar nesta próxima quarta-feira uma rodada de contatos com clientes e empresários no Brasil, Fennings disse que há ainda "muita gente mal informada" sobre a realidade brasileira no exterior e manifestou otimismo com as perspectivas do País. "Um empresa que quer ser realmente internacional não se pode dar ao luxo de ficar fora do Brasil", disse Fenning.A Control Risks, cuja sede fica em Londres, classifica os riscos político e de segurança do Brasil como nível baixo (o risco pode variar de Insignificante até Extremo). No caso das grandes cidades do País e na região da tríplice fronteira, o risco é médio. Fenning observou que a falta de segurança nos grandes centros urbanos brasileiros continua sendo um dos principais problemas do País também para quem olha do exterior. "Mas notamos que há muitos investidores que estão mal informados sobre o País", disse Fenning. "Em muitos casos, há um exagero grosseiro sobre a violência e os problemas sociais do Brasil." Segundo ele, seria muito difícil que uma empresa interessada em investir no País cancelasse seus planos por causa da violência urbana. "As empresas estrangeiras que decidiram apostar no Brasil aprenderam a lidar com esse problema", diz.Entre os fatores que inibem o investimento estrangeiro no Brasil, Fenning destaca "a burocracia elevada, a legislação trabalhista e o sistema judiciário". Mas, segundo ele, se comparado a países de outras regiões do mundo ou mesmo na América Latina, o Brasil tem uma posição privilegiada.A Control Risks acredita, por exemplo, que a crescente intervenção governamental em assuntos diretamente relacionados ao ambiente de negócios vai gerar nervosismo na Argentina, Chile e Venezuela. Na Bolívia, o risco político é alto enquanto na Colômbia o quesito segurança é preocupante. No México, os riscos são considerados médios. "O Brasil obviamente tem problemas, mas o País oferece um grau de previsibilidade no gerenciamento do risco que outros países não podem oferecer", disse. "A maioria das empresas que apostaram no Brasil encontrou maneiras de lidar satisfatoriamente com os obstáculos."A Control Risks observa que os investidores vão continuar monitorando atentamente a manutenção da política econômica ortodoxa adotada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.Risco Interno -Em seu relatório anual (RiskMap) divulgado neste mês em Londres, a consultoria alertou que embora a guerra contra o terror" deva continuar dominado no noticiário em 2005, muitos países terão de enfrentar riscos políticos muito mais sérios de natureza tradicional. "Em muitas regiões do mundo, a ameaça mais direta continuará sendo representada por revoltas políticas ou por regimes predadores", disse. Fenning observou também que os grupos multinacionais continuarão a ser ameaçados pelo risco interno, ou seja, escândalos financeiros como que sepultou a empresa Enron dos Estados Unidos. "A integridade e reputação das empresas continuará sendo testada nos próximos anos", disse.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.