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Há mais petróleo, mas não se sabe quanto

Notícias promissoras no pré-sal surgem quase todos os dias. Poços revelam maior potencial, novas reservas são descobertas, mais investimentos chegam do exterior, cresce a produção, que bate recordes. É uma série de informações isoladas que revelam um cenário petrolífero que jamais teria sido imaginado há alguns anos.

ALBERTO TAMER, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2011 | 00h00

Atendendo à sugestão de leitores, muitos dos quais empresários, estudantes de economia, finanças e até mesmo de geologia, a coluna resume dados oficiais ou não, que revelam estarmos apenas no início de um processo que levará o Brasil, em dois ou três anos, à autossuficiência no abastecimento do petróleo e derivados, com a entrada em operação de novas refinarias.

São dados que a coluna promete ir atualizando à medida em que forem confirmados e permanece à disposição dos leitores para mais informações.

Pré-sal e pós sal. Com a produção do primeiro sistema definitivo, que começou no fim de 2010 com 15 mi barris por dia, a produção do pré-sal chegou a 65 mil barris diários, considerando a fase de testes de longa duração. Esse primeiro sistema vai atingir 100 mil barris por dia até o fim do ano.

Pelas descobertas feitas até hoje, as reservas recuperáveis em barris equivalentes de petróleo e gás, nessa área, estão estimadas em 16 bilhões de barris, o que significa dobrar as reservas atuais da Petrobrás. É o começo porque, da área total do pré-sal, de 149 mil km², apenas 28% estão sob concessão em fase de exploração. Pode-se projetar o que espera em termos de descobertas quando forem prospectados os 107 mil km² que ainda não estão sendo explorados. Provavelmente, serão muito mais de 50 bilhões de barris.

Autossuficiência parcial. Ela de fato não existe. O Brasil já é autossuficiente na extração de petróleo, produz 2 milhões de barris por dia e consome 1,9 milhão. Mesmo assim, hoje ainda precisa importar alguns derivados, como diesel, GLP e nafta química que as refinarias existentes no país não destilam. Foram construídas para refinar petróleo leve que só agora se descobriu na Bacia de Santos.

A autossuficiência deverá vir nos próximos dois anos, quando duas refinarias, uma no Rio de Janeiro (Comperj) e outra em Pernambuco (Abreu e Lima) começarão a produzir aqueles derivados que o País importa hoje.

Mais consumo e produção. Nas análises de mercado, que constam do Plano de Negócios, a Petrobrás prevê que o consumo interno de derivados deverá aumentar em torno de 5% ao ano. Isso significa uma demanda de 2.354.000 barris por dia em 2014 e 2.794.000 em 2020. Se for mantido o atual comportamento do mercado, que vai depender das taxas de crescimento do PIB, esse consumo será atendido pela produção da Petrobrás de 2.980.000 barris por dia em 2014. É importante assinalar que, desse total, 241 mil barris por dia virão da exploração inicial do pré-sal.

Dependendo de ajustes técnicos, condições do mercado petrolífero internacional e da evolução da produção interna - que pode surpreender positivamente -, o Brasil poderá aumentar as suas exportações de petróleo ao mesmo tempo em que reduz a de derivados.

Será um resultado altamente positivo, principalmente porque está sendo conquistado em apenas 5 anos. Isso tem levado o presidente da empresa, Sergio Gabrielli, a dizer que a Petrobrás está fazendo em 5 anos o que não pode fazer em 56 de existência em produção e reservas. Isso decorre de uma nova estratégia dos investimentos.

O que mudou? Tudo. Absolutamente tudo, com destaque especial aos investimentos. Uma quase revolução. Vejamos.

Em 1997, quando se quebrou o monopólio, a empresa investiu R$ 4 bilhões. Em 2010, foram quase R$ 90 bilhões e, até 2014, serão mais de R$ 400 bilhões. Em 2010, nada menos que R$ 244 bilhões. Mais da metade dos investimentos por parte desses novos investimentos está se concentrando em exploração e produção. Como resultado, houve o aumento da produção e foram descobertas novas reservas que compensam o aumento do consumo sem onerá-las. É uma situação especial no cenário petrolífero mundial, no qual a maioria das grandes empresas privadas ou de capital aberto vem sofrendo queda de produção e reservas.

Tributos, R$ 600 bilhões. O desenvolvimento do setor nos últimos anos, após o período de mercado aberto, elevou em 100% o pagamento de tributos da estatal para a União. Proporcionou um aumento superior a 100% no pagamento de tributos, entre 1998 e 2010. Excluindo os encargos sociais, foram arrecadados pela União, Estados e municípios, nesse período, cerca de R$ 600 bilhões. Soma-se a este valor a distribuição de royalties sobre a produção aos Estados e municípios, que superou os R$ 100 bilhões, desde 1998. Vai ser mais, muito mais, quando o pré-sal aumentar sua produção.

Desafios? Os tecnológicos estão sendo bem enfrentados de forma a reduzir os custos e riscos ambientais. Os financeiros, também. Se existe um desafio é o de persistir nessa linha, que o novo governo já aprovou. Antes de só pensar, como no passado, em vender derivados porque dá lucro e não apresenta risco, é investir em pesquisa, tecnologia e produção. É o que está dando certo. É só fazer mais porque ninguém sabe quanto há de petróleo ainda por descobrir nas costa do Brasil. Um segredo que só se desvenda investindo intensamente. A Petrobrás e as empresas privadas já estão fazendo isso, com sucesso. Mas é só o começo.

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