Há o risco de se ter maior consumo com mais importação

Cenário: Fernando Dantas

O Estado de S.Paulo

27 de março de 2012 | 07h43

Apesar da queda de 0,13% em relação a dezembro, na série com ajuste sazonal, o IBC-Br de janeiro foi recebido com surpresa por analistas e consultores, que esperavam resultado ainda pior. A média das projeções indicava recuo de 0,5%. O IBC-Br de janeiro, acima da previsão média, pode evitar nova rodada de redução das projeções de alta do PIB no primeiro trimestre. O resultado, porém, não deve ser suficiente para elevar as perspectivas de crescimento para 2012, ainda pouco animadoras.

O economista Fernando Rocha, sócio da gestora JGP no Rio, observa que a produção industrial teve queda muito forte em janeiro, de 2,1% ante dezembro, na série com ajuste sazonal. Como o indicador tem bastante peso no modelo da JGP que tenta antecipar os indicadores de atividade econômica, a instituição previa queda de 0,4% em janeiro.

Carlos Kawall, economista-chefe do banco J. Safra, aponta o mesmo fator por trás da sua projeção de queda de 1,1%. Tanto Rocha quanto Kawall enfatizam que a alta das vendas do comércio varejista em janeiro, de 2,6% (ante dezembro), acabou compensando a queda na produção industrial, e levou o IBC-Br a perto de zero. Segundo os economistas, o resultado de janeiro consolida as projeções de crescimento no primeiro trimestre (0,7% para o JGP, 0,5% para o Safra), que poderiam ser revistas para baixo. Mas as dificuldades da economia neste início de 2012 continuam.

Rocha nota que, no fim de 2011, sua expectativa era de crescimento de 1% no primeiro trimestre. Para que isso ocorresse, bastava que o crescimento mês a mês ficasse em zero. Mas Rocha antecipa nova queda do indicador em fevereiro. Kawall observa que os indicadores antecedentes de fevereiro (e, em alguns casos, de março) apontam resultados ainda fracos para a indústria. No caso do comércio, após forte desempenho de janeiro, a indicação é de esfriamento a partir de fevereiro.

Outro aspecto preocupante da economia em janeiro é que se mantém a discrepância entre os indicadores da indústria e do comércio, com desempenho bem mais forte deste último. Isso pode ser um sinal de que a alta do consumo está levando a maiores importações, e não ao avanço da produção nacional.

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